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d'aquém e d'além

COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

d'aquém e d'além

COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

Deslizou... foi embora sem se acusar!

Augusto Semedo, 24.04.13

Esta tarde, alguém calculou mal a manobra e deslizou na traseira do para-choques do carro. Não se acusou, nem com um bilhete que podia deixar junto ao carro, devidamente estacionado. Certamente, quem assim procedeu acobardando-se, escondendo a sua azelhice e fugindo às elementares responsabilidades de cidadania, estará agora algures a insinuar superioridade moral e a tecer acostumadas críticas a ...outros. Quem o escuta julgar-se-á perante alguém impoluto, socialmente responsável, exemplar cidadão.
Quem se insinua alcança. Julga os outros mas não o faz consigo. Exige aos outros mas esquece-se que antes deve exigir-se a si próprio. Cansado ando eu de os ver! Aproveitam-se e nada dão em troca. Fazem-se amigos mas fogem ao primeiro desafio. Lisonjeiam servilmente com descaro. Encavalitam-se como podem, saltitando sagazmente mas nada retendo para lá do seu ego infinito...
A eloquência e aparência de tantos, seja ela moral e ética, seja no domínio privado ou público, faria supor uma sociedade mais sã, próspera, com manifestações de cidadania capazes de transmitirem conforto e segurança, confiança e optimismo. Se as sociedades se fazem com as pessoas, será sempre o seu comportamento a determinar a matriz social dominante.
Quem está mal é sempre o vizinho. Somos desconfiados e pessimistas. Vivemos em desconforto permanente. Duvidando de regras e das hierarquias. Derrotando à partida e invejando em permanência. Sem visão de conjunto, sem critério, sem horizontes... Eu por mim, tudo e todos em função do meu eu - assim parece ser a regra!

Negócio do penico em Bruxelas

Augusto Semedo, 16.12.08

Fui já a alguns Mc Donald's mas ainda em nenhum tinha tido o grato privilégio de pagar uma ida ao WC. Aconteceu agora em Bruxelas, capital belga e do chocolate, cidade do Atomium, da Grand Place e do menino que é visto por milhares a urinar. Há (haverá) uma lenda e a romaria de turistas contempla aquele pequeno boneco com a pilinha à mostra e verter água em permanência.

Montar o negócio do penico parece dar resultado. A longa fila naquela estreita escada rumo ao WC confirma o elevado número de cidadãos desejosos de se aliviarem. Chegados ao piso inferior, pagarão 30 cêntimos de euro e entrarão em casas de banho normalíssimas, bem melhores que outras certamente encerradas se tivessem sido alvo de uma qualquer inspecção por parte da ASAE.

De resto, as promoções do restaurante estão praticamente ao mesmo preço, o que leva a considerar a hipótese do negócio do penico poder ter sucesso naquela movimentada capital da União Europeia. Até porque o chocolate que nos entra pelos olhos e o frio que o corpo suporta com dificuldade podem causar apertos inoportunos... 

 

NOTA: Querem uma fotografia do Natal em Bruxelas? daquem-e-dalem.blogspot.com

Fotografar, um hobby de risco?

Augusto Semedo, 04.10.08

Com o gigantismo do estádio Cork em fundo, uma atenciosa senhora de Dublin apressou-se a saber se estava tudo bem ou se precisava de alguma coisa. Em plena Curragd Road, quando recuava na procura do melhor ângulo, estatelei-me na via não sei bem porquê. Ainda este hobby tinha meses...

Um ano depois, enquanto calcorreava um dos percursos pedestres na serra de Açor, fui parar inesperadamente a um silvado. O percalço obrigou-me a voltar atrás, a umas belíssimas quedas de água que já havia apreciado, procurando encontrar solução para os inúmeros vestígios que ardiam pelo corpo todo. Lá continuei...

Agora, foi o lodo a trair-me na borda do canal, enquanto procurava novamente um melhor enquadramento para mais um boneco. Quase provocava um banho nas águas venezianas, levando comigo máquina e objectivas. O inesperado, no penúltimo degrau de uma pequena escadaria de pedra, não deu tempo para pensar. Valeu o instinto de cair para o lado da parede. Ficaram pequenos hematomas e alguns arranhões. E as calças sujas. A máquina protestou, não queria atinar com as melhores definições para as capturas seguintes, mas depois lá perdoou. Afinal, as quedas que mais nos magoam são mesmo aquelas que nos ficam marcadas pelos lodos do dia-a-dia.

Fica, porém, a questão: fotografar será assim tão perigoso?

Os italianos não gostam de tripés!

Augusto Semedo, 04.10.08

Definitivamente, os italianos não gostam de tripés.

Há um ano, em plena Fontana de Trevi (Fonte das Trevas), um gentil polícia municipal não me permitira continuar a registar algumas nocturnas com aquele utensílio precioso para que as fotos não saiam tremidas e com menor nitidez. Dissera-me que era considerada fotografia profissional.

Acatei – que remédio! – pese embora a infindável quantidade de gente que, como eu, fotografava com tripé junto aos principais monumentos da capital italiana.

Desta vez, um ano passado, foi no aeroporto de Treviso, a norte de Veneza, que os italianos embirraram com o meu tripé. Até aí, passara sem qualquer restrição nos apertados controlos que antecedem o momento de cada embarque.

Obrigaram-me, porém, a voltar atrás. A dirigir-me de novo ao check-in e a despachar o precioso instrumento com uma etiqueta de bagagem. Nada de mais… mas lá tinha de ser em Itália, onde me parece que o rigor com a segurança é levado mais a sério que em muitos outros destinos. Ou talvez não… porque às vezes as aparências enganam.