COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

08
Set 09

Andou por aí grande alvoroço com o estudo prévio da nova auto-estrada, que substituirá o actual IC2, mas a verdade é que a população mantém-se preocupantemente complacente perante a questão de fundo: precisamos de uma auto-estrada portajada ou tão só de uma estrada nacional que não esteja convertida praticamente numa longa artéria urbana?

 

Queríamos todos, e justificadamente, uma ligação menos penosa a Coimbra e à A1/Aveiro quando nos dão uma nova auto-estrada. A bem feitoria seria bem recebida se não houvesse lugar ao pagamento de portagens.

Afinal de contas, uma variante ao actual IC2 - sem entradas particulares nem cruzamentos, sem semáforos nem rotundas, e sem limites de velocidade, em alguns casos ridículos - seria suficiente. Mas o Estado vai dar-nos três auto-estradas praticamente paralelas, embora com custos para o utilizador.

 

É caso para perguntar, porque é legítimo fazê-lo: Águeda e as populações vão ficar a ganhar?

Águeda vai deixar de ter a variante recentemente construída; aquela que reclamou há décadas e que viu ser satisfeita já este século. Se houver introdução de portagens (e ainda ninguém nos garantiu o contrário...), muito do tráfego voltará a passar pelo antigo traçado da EN1, criando problemas inevitáveis ao núcleo urbano de Águeda e implicando diminuição da qualidade de vida da população local.

 

Por essa Europa fora, o trânsito foi sendo desviado dos centros urbanos das cidades com a construção de variantes, algumas construídas com via dupla em cada sentido. Se incluídas no traçado das auto-estradas, por inexistência de alternativas, esses troços estão isentos de portagem. Por cá, e pelos sinais que nos são dados, há uma completa inversão do que seria justo e o ilógico acentua-se: para se sair de Águeda, em quase todas as direcções, vai ter que se pagar.

 

No futuro, estaremos numa região com os veículos mais caros, com o combustível mais caro e com custos de circulação dos mais elevados da Europa! E, ao contrário da generalidade dos nossos parceiros europeus, com uma precária rede de transportes públicos que sirva de alternativa válida à crescente mobilidade dos cidadãos.

 

Será isto evolução? Será Águeda, de facto, beneficiada pela nova auto-estrada quando, afinal, queríamos tão só uma ligação mais rápida e segura, liberta de tantos e tão significativos estrangulamentos (criados na maioria dos casos por ausência de adequada regulamentação estatal no tempo devido), em direcção a Coimbra e à A1/Aveiro?

Para “presente envenenado” já basta o que estão a fazer na A17, construída com o propósito de desviar o trânsito da 109 em Aveiro, Ílhavo e Vagos, mas agora em vias de se transformar numa AE portajada. Aqueles municípios pediram uma simples variante e deram-lhes uma AE. No futuro, artérias urbanas e estreitas, mal dimensionadas para as exigências actuais, voltarão ao estrangulamento de outrora.

 

publicado por Augusto Semedo às 14:52

07
Jan 09

Na comemoração do centenário da inauguração da Linha do Vale do Vouga faz todo o sentido questionar o abandono a que esta tem estado sujeita; já depois de se ter cometido o erro, irreparável, de suprimir o troço entre Viseu e Sernada do Vouga.

Outros teriam feito talvez o aproveitamento turístico se as estratégias não andassem sempre desfasadas do tempo e se não fossem marcadas pela visão egoísta dos grandes centros. Visão essa limitadora se se atender à virtualidade verdadeiramente distintiva que Portugal tem para oferecer face à concorrência de outros países com maior peso turístico: a diversidade em tão curto espaço geográfico.
No ano em que foram revelados números que confirmam o aumento de passageiros na linha, importa questionar: se o aumento é uma realidade com as condições oferecidas, caso houvesse investimento marcante (tendo em vista o conforto dos passageiros, horários mais ajustados e diversificados e menores custos de exploração) até onde poderia ir a reaproximação dos cidadãos desta região com o comboio?
De acordo com o estudo de viabilidade do metro de superfície, encomendado na primeira metade dos anos 90 pelas câmaras de Aveiro e Águeda, a extensão da linha pelo centro urbano da capital de distrito e por Ílhavo, até às praias, representava uma certeza para os resultados de exploração e uma mais-valia evidente para a mobilidade dos cidadãos de uma comunidade que envolve directamente 150 mil pessoas.
Ao invés, o que se verifica hoje, é que o maior investimento público concretizado na Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro – a ligação ferroviária ao Porto de Aveiro - não servirá passageiros, apenas mercadorias. Haverá certamente razões técnicas para tal, ou então continuamos a dar-nos ao luxo de não potenciar infra-estruturas pensadas e executadas recentemente.
Para cúmulo, face ao eixo Águeda – Aveiro – Ílhavo (praias), muito utilizado especialmente durante o Verão, verifica-se total descoordenação entre comboio e autocarro, sem informação afixada e sem paragem certa junto à estação de Aveiro, num total desrespeito pelos cidadãos que procuram utilizar os dois meios de transporte.
Exige-se uma atitude diferente das instituições e das empresas para com os cidadãos que utilizam os transportes públicos, neste país de auto-estradas tendencialmente com custos para o utilizador e incapaz de oferecer alternativas válidas e verdadeiramente úteis aos tempos modernos. Ao Estado e a todas as instituições públicas competentes exige-se a criação de condições para que nenhum cidadão se sinta excluído e possa verdadeiramente optar pelo meio de transporte que mais lhe convenha.
publicado por Augusto Semedo às 17:56

04
Jan 09

Último dia de 2008 e primeiros de 2009, postos de combustíveis em auto-estradas no país vizinho:

Gasóleo »»»»  0,85 euros

Gasolina 95 »  0,83 euros

 

Não, não é engano!

publicado por Augusto Semedo às 23:11

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