COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

08
Jan 10

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  • A premiada modernização administrativa, desenvolvida pela Câmara Municipal, foi exemplo para outros municípios do país, como atestam as inúmeras visitas efectuadas aos Paços do Concelho durante 2009

 

  • A fabricação de componentes LED (Díodo Emissor de Luz) pela Exporlux reflecte o caminho a percorrer pelas empresas na área da inovação e no desenvolvimento da pesquisa. A tecnologia, que em Águeda já está implantada na Eugénio Ribeiro, é um investimento amigo do ambiente e começa a ser visível em rodovias nacionais e em ruas de vários municípios

 

  • A abertura da nova Biblioteca Municipal Manuel Alegre representa uma mais-valia para a comunidade aguedense, que passa a contar com um equipamento de grande qualidade e ao qual pode recorrer em múltiplas valências

 

  • A riqueza cultural é uma referência incontornável do município de Águeda, que não se limita às realidades mais tradicionais. A cada dia, surgem novos projectos, criativos e arrojados, que indiciam inovação e capacidade realizadora

 

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  • 2009 foi o ano dos projectos anunciados e dos milhões prometidos para investimentos de requalificação e regeneração urbana. Só em Fevereiro foram anunciados mais de 20 milhões de euros para 25 projectos. Espera-se que, no terreno, 2011 confirme a execução das intenções

 

  • A criação da empresa Águas da Região de Aveiro pode constituir uma solução face à incapacidade dos municípios em resolverem os problemas de água e saneamento com que se debatem, particularmente o de Águeda; resta saber se, a exemplo das SCUT, não se converterão num pesado encargo para as populações

 

  • O desemprego e a precariedade laboral têm preocupado uma comunidade que já se orgulhou do pleno emprego que ostentou no passado. Resta saber se o futuro confirma que a crise internacional e a falta de produtividade são as únicas justificações, ou se às elites não são exigidas competências de gestão e organizativas essenciais para a saúde das empresas 

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  • A inauguração, pela ex-ministra da Educação, da biblioteca escolar na EB 2,3 Fernando Caldeira, poucos meses antes de ser demolida para a construção do novo centro educativo integrado, representou um desperdício de recursos num país que tem as suas contas públicas depauperadas. O desejo de mostrar obra, principalmente em ano eleitoral, colide com a responsabilidade pública exigida a quem exerce cargos de governação. Que deve começar por um efectivo planeamento da acção que se pretende empreender

 

  • A perda de competências do Hospital Distrital de Águeda tem colocado em causa o papel que está reservado no futuro para aquela unidade. Em poucos anos, da ambição de um novo hospital, Águeda receia sobretudo ficar sem um equipamento que dê resposta às necessidades da região que a ele acorre. Enquanto isso, as Urgências debatem-se com um aumento de procura, em grande parte derivado ao encerramento do Hospital de Anadia

 

  • Se os assaltos são infelizmente recorrentes, a delinquência juvenil ganhou uma dimensão nunca antes verificada na comunidade aguedense. Os problemas económicos e a ausência, em muitos casos, de uma estrutura familiar sólida, com reflexos directos na formação e educação dos futuros cidadãos activos, agudizaram um problema social que poderá ter implicações na vida colectiva do futuro

(PUBLICADO NO JORNAL REGIÃO DE ÁGUEDA, EDIÇÃO DE 7 DE JANEIRO DE 2010)

publicado por Augusto Semedo às 12:40

08
Set 09

Andou por aí grande alvoroço com o estudo prévio da nova auto-estrada, que substituirá o actual IC2, mas a verdade é que a população mantém-se preocupantemente complacente perante a questão de fundo: precisamos de uma auto-estrada portajada ou tão só de uma estrada nacional que não esteja convertida praticamente numa longa artéria urbana?

 

Queríamos todos, e justificadamente, uma ligação menos penosa a Coimbra e à A1/Aveiro quando nos dão uma nova auto-estrada. A bem feitoria seria bem recebida se não houvesse lugar ao pagamento de portagens.

Afinal de contas, uma variante ao actual IC2 - sem entradas particulares nem cruzamentos, sem semáforos nem rotundas, e sem limites de velocidade, em alguns casos ridículos - seria suficiente. Mas o Estado vai dar-nos três auto-estradas praticamente paralelas, embora com custos para o utilizador.

 

É caso para perguntar, porque é legítimo fazê-lo: Águeda e as populações vão ficar a ganhar?

Águeda vai deixar de ter a variante recentemente construída; aquela que reclamou há décadas e que viu ser satisfeita já este século. Se houver introdução de portagens (e ainda ninguém nos garantiu o contrário...), muito do tráfego voltará a passar pelo antigo traçado da EN1, criando problemas inevitáveis ao núcleo urbano de Águeda e implicando diminuição da qualidade de vida da população local.

 

Por essa Europa fora, o trânsito foi sendo desviado dos centros urbanos das cidades com a construção de variantes, algumas construídas com via dupla em cada sentido. Se incluídas no traçado das auto-estradas, por inexistência de alternativas, esses troços estão isentos de portagem. Por cá, e pelos sinais que nos são dados, há uma completa inversão do que seria justo e o ilógico acentua-se: para se sair de Águeda, em quase todas as direcções, vai ter que se pagar.

 

No futuro, estaremos numa região com os veículos mais caros, com o combustível mais caro e com custos de circulação dos mais elevados da Europa! E, ao contrário da generalidade dos nossos parceiros europeus, com uma precária rede de transportes públicos que sirva de alternativa válida à crescente mobilidade dos cidadãos.

 

Será isto evolução? Será Águeda, de facto, beneficiada pela nova auto-estrada quando, afinal, queríamos tão só uma ligação mais rápida e segura, liberta de tantos e tão significativos estrangulamentos (criados na maioria dos casos por ausência de adequada regulamentação estatal no tempo devido), em direcção a Coimbra e à A1/Aveiro?

Para “presente envenenado” já basta o que estão a fazer na A17, construída com o propósito de desviar o trânsito da 109 em Aveiro, Ílhavo e Vagos, mas agora em vias de se transformar numa AE portajada. Aqueles municípios pediram uma simples variante e deram-lhes uma AE. No futuro, artérias urbanas e estreitas, mal dimensionadas para as exigências actuais, voltarão ao estrangulamento de outrora.

 

publicado por Augusto Semedo às 14:52

07
Jan 09

Na comemoração do centenário da inauguração da Linha do Vale do Vouga faz todo o sentido questionar o abandono a que esta tem estado sujeita; já depois de se ter cometido o erro, irreparável, de suprimir o troço entre Viseu e Sernada do Vouga.

Outros teriam feito talvez o aproveitamento turístico se as estratégias não andassem sempre desfasadas do tempo e se não fossem marcadas pela visão egoísta dos grandes centros. Visão essa limitadora se se atender à virtualidade verdadeiramente distintiva que Portugal tem para oferecer face à concorrência de outros países com maior peso turístico: a diversidade em tão curto espaço geográfico.
No ano em que foram revelados números que confirmam o aumento de passageiros na linha, importa questionar: se o aumento é uma realidade com as condições oferecidas, caso houvesse investimento marcante (tendo em vista o conforto dos passageiros, horários mais ajustados e diversificados e menores custos de exploração) até onde poderia ir a reaproximação dos cidadãos desta região com o comboio?
De acordo com o estudo de viabilidade do metro de superfície, encomendado na primeira metade dos anos 90 pelas câmaras de Aveiro e Águeda, a extensão da linha pelo centro urbano da capital de distrito e por Ílhavo, até às praias, representava uma certeza para os resultados de exploração e uma mais-valia evidente para a mobilidade dos cidadãos de uma comunidade que envolve directamente 150 mil pessoas.
Ao invés, o que se verifica hoje, é que o maior investimento público concretizado na Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro – a ligação ferroviária ao Porto de Aveiro - não servirá passageiros, apenas mercadorias. Haverá certamente razões técnicas para tal, ou então continuamos a dar-nos ao luxo de não potenciar infra-estruturas pensadas e executadas recentemente.
Para cúmulo, face ao eixo Águeda – Aveiro – Ílhavo (praias), muito utilizado especialmente durante o Verão, verifica-se total descoordenação entre comboio e autocarro, sem informação afixada e sem paragem certa junto à estação de Aveiro, num total desrespeito pelos cidadãos que procuram utilizar os dois meios de transporte.
Exige-se uma atitude diferente das instituições e das empresas para com os cidadãos que utilizam os transportes públicos, neste país de auto-estradas tendencialmente com custos para o utilizador e incapaz de oferecer alternativas válidas e verdadeiramente úteis aos tempos modernos. Ao Estado e a todas as instituições públicas competentes exige-se a criação de condições para que nenhum cidadão se sinta excluído e possa verdadeiramente optar pelo meio de transporte que mais lhe convenha.
publicado por Augusto Semedo às 17:56

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