COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

08
Set 08

"Boa noite... hoje é quarta-feira!" O público, que esperava por um nome conhecido da música portuguesa, desconfiou. O artista não articulava frases, enrolava a língua, não conseguia dialogar com o público, desafinava.

Decidiu, às tantas, fumar um cigarro, beber uma cerveja e colocar os pés em cima do teclado do piano. E quando se propôs cantar uma das mais conhecidas, não conseguiu entoação semelhante à que diariamente nos oferece o musical do genérico de uma telenovela.

Afinal, o artista faltou ao seu compromisso. Que estará assinado e que terá sido pago. Virou costas aos fans que alimentavam a esperança de o poder ver ao vivo.

Alguns, provavelmente, ainda hoje acham que o terão visto bem ali à sua frente - condescendendo com comportamentos que não perdoam a outros cidadãos - mas o espectáculo degradante a que assisti não passou de uma sessão de karaoke.

P.S. - A equipa que proporciona a festa do leitão - e que pelo seu trabalho muito profissional está de parabéns - não merecia esta desfeita. 

publicado por Augusto Semedo às 17:51
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26
Jul 08

Os miúdos faziam gincana com o carrinho que transportava a bagagem e só sossegram quando foram parar ao chão. Só aí a mãe se levantou, aproximando-se das malas tombadas. Com impressionante serenidade, ordenou a um deles para ir apanhar a garrafa de água que havia parado uns metros adiante.

Estava longe de pensar que aquelas duas crianças e a mãe, que vira de relance junto à porta de embarque alertado pelo barulho da queda, seriam companheiras de viagem.

Entrara, desta vez, mais cedo no avião. Escolhi minuciosamente o lugar que mais me convinha para ir à janela, quase na cauda do aparelho. Gosto de ver o que se passa lá em baixo. E de identificar os locais sobrevoados. É um belíssimo exercício e ajuda a passar o tempo.

"Mami!", ouço eu. Estava o avião praticamente cheio. Uma das crianças vislumbrava livres os dois lugares que se sucediam ao que eu escolhera. Primeiro, a mãe pedira a uma jovem que lhe cedesse o primeiro dos lugares da fileira à direita; depois, e para poder estar próximo das crianças, acabou por me solicitar que mudasse para o lugar que acabava de ficar vago.

Pronto, tinha que ser! Os miúdos iam choramingar certamente se tivessem um estranho a seu lado. E mudei-me. Logo desta vez, que fui dos primeiros a poder escolher.

E o avião lá levantou, perante as rezas da mãe a a indiferença daquelas duas ternurentas crianças.

publicado por Augusto Semedo às 00:25
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17
Jul 08

Não, o avião não cai.

Não há é luxo. É preciso ser-se prático. Isto é para gente que gosta de conhecer outras terras e ambientes diferentes. E que não vai em caprichos nem arranja desculpas para a sua falta de curiosidade.

Para gente que não se importa com as bolhas nos pés... neste caso caminhando pelos verdejantes e amenos jardins do Turia, entre o arrojado e futurístico complexo das ciências e das artes e o conservado e histórico centro da cidade.

A 'Ciutat Vella', com a catedral e as igrejas; o Ayuntamiento, a 'plaza' e a estação dos 'correos'; a 'plaza' de touros e a 'estacion del norte'; o mercado, os museus e as torres...

O Rio Turia foi desviado. Ficaram as pontes (algumas históricas...) e o leito está agora convertido num imenso jardim, com parques de diversão e desportos radicais, campos de jogo, lagos, áreas de lazer, pistas cicláveis... em todo o seu percurso citadino até ao porto.

Antes deste, nasceu um novíssimo parque onde antes era o Turia: a 'Cuidad de las Artes y las Ciencias'. Apresenta-se como o maior complexo lúdico e cultural da Europa, que combina interessantes conteúdos científicos e de divulgação com elementos de diversão para todo o tipo de público. Carote... mas vale a pena! Arquitectura moderna e uma soberba obra de engenharia.

O Oceanográfico, com a beleza e os segredos dos principais mares e oceanos do planeta, é o maior centro marinho europeu e tem espectáculos de golfinhos e demonstrações; o Museu das Ciências, com uma das maiores exposições de biologia e genética, pretende afirmar-se com um novo conceito de museu, apelando à participação e à experimentação; o Hemisférico, edifício em forma de olho humano, projecta filmes sobre astronomia e espectáculos de animação; e o Palácio das Artes, um centro de produção cultural de referência. Há ainda o jardim miradouro, com vistas sobre todo o complexo.

Ahh... e o 'Mestalla', pois então, ou não estivessemos em Valência.

publicado por Augusto Semedo às 16:16
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