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d'aquém e d'além

COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

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COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

Verdades e mentiras

Augusto Semedo, 22.10.08

O PIDDAC é um instrumento de verdade ou de mentira? Reflectirá as intenções de investimento do Estado ou não? A confusão está de novo instalada nesta comunidade guerrilheira, disposta a dirimir argumentos em favor das conveniências político-partidárias.

A verdade do PIDDAC é que não há dinheiro para a ambição de fazer obra. Outra verdade é que quando houve, as prioridades terão sido tantas que algumas foram ignoradas em favor das comunidades mais expeditas.
A mentira do PIDDAC é que os políticos vão dizendo que sim a tudo, vão alimentando as ambições das comunidades com promessas de obra futura, que na maioria das vezes se fica pelas intenções. Daí que haja prioridades de décadas: crescemos e vivemos com elas sem que algum dia sejam realizadas.
A verdade é que todos se sentem felizes com obras. Megalómanas ou não, prioritárias ou não. É preciso fazer obras, inaugurar obras… nem que a seguir não se saiba como mantê-las, se assista à sua degradação acelerada.
A mentira é que há obras que não se convertem em mais-valias evidentes. Veja-se, para se falar num caso nacional, o exemplo das SCUT. Sem dinheiro para as construir, o Estado fez parcerias público-privadas e agora não tem dinheiro para as manter. No futuro, as variantes reclamadas por localidades massacradas pelo trânsito passarão a ser auto-estradas com custos para o utilizador; e as antigas estradas nacionais estarão convertidas em vias onde será insuportável transitar.
A verdade é que a mentira entra nos bolsos de cidadãos que ganham mal e passarão a pagar as estradas mais caras da Europa. A verdade é que gostaria, como aguedense, de ter bons acessos aos principais centros urbanos; a mentira é que me estão a impor um futuro oneroso, inacessível a todos aqueles que não conseguirem acompanhar o ritmo do TGV e que se sentirão excluídos num país cada vez mais desigual – que ainda circula, e circulará para todo o sempre, em automotoras rudimentares e em carris mal conservados.     
A verdade é que os políticos passam a vida a vender-nos ilusões, com promessa de obra nova para a qual não há dinheiro; e a verdade é que o povo gosta de viver na ilusão e rejeita a maçada de ter uma postura de reflexão sobre a realidade que o envolve. O resultado desta verdade é que o povo tem os representantes que merece mas será a vítima maior!

O exemplo da Ryanair no aeroporto do Porto

Augusto Semedo, 11.09.08

A Ryanair queria instalar uma base no aeroporto Francisco Sá Carneiro no Porto mas cansou-se de esperar por uma decisão. Pretendia, em contrapartida ao aumento de frotas e, em consequência, do número de passageiros, uma redução de quatro euros nas taxas praticadas naquela estrutura aeroportuária. Criava 200 postos de trabalho.

A decisão da ANA demorou e Barcelona será a beneficiada. Espanha aproveita o que rejeitamos, vá lá saber-se porquê.

Quem se der ao trabalho de simular rotas no sítio da Ryanair na Internet verifica facilmente que o aeroporto do Porto é aquele que já pratica taxas mais elevadas.

A criação de uma base significava que os aviões passavam a pernoitar no Porto, com vantagens obvias para todos: para o próprio aeroporto - uma estrutura excelente mas com movimento reduzido face ao potencial que revela - e para a região. Aumentaria o número de passageiros a pernoitar na região e estimulava-se a oferta turística e a interactividade em variadíssimas áreas.

Há companhias de baixo custo que operam a partir de Espanha. Nem é preciso que sejam espanholas. As rotas da Air Berlim passam pelas ilhas baleares; a Clickair obrigatoriamente utiliza Barcelona para as ligações aéreas. Como muitas ligações não são imediatas, constituem um factor - a juntar a outros bem conhecidos - que contribui para a dinâmica das cidades.

O dossier da Ryanair é mais um exemplo de que a alegada falta de competitividade lusa está, também e muito, nas estruturas dirigentes e na ditadura das conveniências de uma minoria. A ANA e o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações ainda nada disseram, apesar de convidados a explicarem-se. Pudera... Há coisas que não têm explicação racional e nós estamos já demasiadamente fartos de desculpas de mau pagador.

Vão-se lixar!

Sociedade sem respostas para os monstros que criou

Augusto Semedo, 29.08.08

 

A PJ entrou em campo no caso dos quatro autocarros incendiados em Albergaria-a-Velha. No interior do Centro Coordenador de Transportes, novo acto de vandalismo - supõe-se - terá sido praticado por jovens. Testemunhas afirmam que se trata de gente com idades entre 18 e 25 anos. Talvez até já referenciados pelas autoridades policiais. Mas, continuam na rua a atentar contra o bem comum.

Não há Estado nem Instituição Social que trate desta gente. Mais do que condenar a uma exclusão ainda maior, que seja capaz de permitir a sua reabilitação.

Não terá sido "esta" sociedade a criar monstros disponíveis para as mais díspares atrocidades praticadas contra pessoas e bens? E que respostas tem ela agora para fazer face a esta onda de insegurança e desconforto moral?