COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

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Out 08

A embarcação apinhada de material avançava e recuava naquele estreito canal rodeado de edifícios. À sua frente, encostado, um barco; a seguir, uma ponte obrigava a que os tripulantes - habitualmente dois nos de carga - se baixassem para continuarem a lenta marcha; depois, mais embarcações seguiam destinos diferentes.

Esta, mal avançava, obrigava-se a recuar. A ponte era ainda mais estreita que o canal e não passavam duas em simultâneo; depois, para passarem uma pela outra não poderia estar uma terceira estacionada na borda.

- Oh, não! - parecia dizer a tripulação, que voltava a recuar depois de espreitar, novamente, por debaixo da ponte, uma nova embarcação a surgir em sentido contrário. Sem azedume, tudo feito num ritmo e com um espírito peculiar. Todos parecem conhecer-se bem e de há muito. 

É normal, por exemplo, cumprimentarem-se efusivamente enquanto cruzam embarcações. E os gondoleiros, naquele seu jeito elegante e sereno na condução dos típicos barcos, emitem sons indicativos aos colegas que os seguem pelos labirínticos e apertados canais, avisando-os da existência de uma outra embarcação ao virar da esquina.

É preciso sentir Veneza. Observar o grande canal, onde se cruza todo o tipo de embarcações, por entre intenso tráfego, sem que ninguém estorve a marcha de outro; passear tranquilamente pelas ruas seculares, estreitíssimas e também elas labirínticas, sem a presença de veículos motores; admirar o imenso património histórico, que se estende por todo o núcleo urbano e não se restringe apenas às emblemáticas praça e Catedral de São Marcos (Património da Humanidade) e ponte de Rialto...

E o 'glamour' - escutar grandes obras musicais na praça São Marcos, passear de gôndola pelos canais, saborear uma boa refeição em ambientes acolhedores...

Há mais, numa Veneza onde o barco substitui o carro. Na distribuição postal, em acções de socorro com ambulância, nos transportes públicos, na recolha do lixo... Com a complexidade de recursos materiais e humanos que tal situação exige. Até as esquadras dos 'Carabinieri' dão directamente para os canais, onde os esperam lanchas a partir das quais se deslocam para cumprirem acções policiais. 

Há ainda o mercado, com uma impressionante variedade de peixe e fruta. A indústria do vidro, tradição na ilha de Murano, está bem evidenciada nas ruas de comércio venezianas - que nos apresentam ainda fascinantes máscaras de carnaval, encantadoras criações artesanais que incentivam a uma atenta apreciação.

publicado por Augusto Semedo às 23:20
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