COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

29
Ago 08

Enquanto Albergaria se insurge contra a degradação de uma infra-estrutura construída há 19 anos, Águeda espera resignada a construção de uma estação rodoviária (o seu Centro Coordenador de Transportes…) reclamada seguramente há três décadas.

Se o CCT de Albergaria reflecte um pouco do que se passa pelo país – não basta construir, é preciso zelar pelos novos equipamentos -; a inexistência de uma estação rodoviária adequada e funcional em Águeda mostra a incapacidade dos poderes públicos resolverem problemas sentidos há muito.

Se o então moderno e funcional equipamento de Albergaria é vítima de um certo modo de estar na vida (atracção pela destruição…) com que alguns vão manifestando ausência de sentido cívico e um espírito miserabilista; a anacrónica e degradante estação rodoviária de Águeda enfrenta, entre outros problemas, questões de segurança que só não estarão mais expostas porque ainda não morreu ali gente.

Se o CCT de Albergaria (agora abandonado…) mereceu honras de inauguração, com o inevitável desfile de figuras proeminentes da época; a almejada ER de Águeda vai originando negociações tão complicadas, mas tão complicadas, que apodrecem antes do fruto.

Falta brio e consistência em sociedade de pompa e circunstância.

 

Nota: Este texto tem alguns meses. Foi escrito a propósito de um trabalho jornalístico de José Manuel Alho sobre a degradação do CCT de Albergaria, publicado nas páginas do RA. Republico-o na sequência dos actos de vandalismo verificados esta semana naquele local - que chegaram ao que julgamos ser o extremo. O texto manter-se-á actual até quando?

publicado por Augusto Semedo às 11:22
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14
Ago 08

A emoção ainda toma conta de quem viveu a gloriosa jornada de Peniche, em 5 de Junho de 1983. Principalmente daqueles que conheceram a realidade reluzente de um clube em processo de afirmação, de direcções empenhadas e responsáveis, de estruturas competentes e dinâmicas e de uma comunidade que se revia nas façanhas de um seu embaixador.

Foi há 25 anos! O momento que procuramos recordar traduz muito mais que o simples sucesso desportivo.

Seguem-se neste blog quatro peças de um mesmo texto, intitulado "...E o santo terá perdodado?", publicado na edição de 15 de Agosto de 2008 no jornal Região de Águeda (páginas 24 e 25)

publicado por Augusto Semedo às 15:40
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A imensa caravana ague­dense seria fustigada por um tão inesperado quanto intenso temporal. No supermercado local, perto do velhíssimo campo do Baluarte, o plástico esgotou. E, se mais houvesse, esgotava na mesma. Serviu para proteger o corpo das fortes chuvadas da tarde.

Nem isso esfriou a euforia de quem queria participar naquele histórico momento, não importando se o corpo estava seco ou molhado.

O jogo foi correndo de feição e a subida do Recreio nunca esteve verdadeiramente em perigo. A poucos minutos do final, um conhecido aguedense olhava para o relógio e dizia no seu jeito característico: “Faltam 10 minutos para ver o meu Sporting em Águeda!”

No final, imediato à conversão do penalti do 5-2, deu-se a invasão pacífica do velho e encharcado “pelado”. Seguiram-se as habituais cenas de triunfo, o champanhe por entre lágrimas de alegria e a certeza de que Águeda, finalmente, estava no escalão máximo do futebol português.

O regresso foi lindo. Perfeito. O “carnaval” aguedense foi vitoriado pelos adversários. Primeiro, em Peniche: - “Vamos assistir à festa, o Águeda merece!”, dizia um habitante local. Depois, no regresso a Águeda.

Entre Peniche e as Caldas, vários populares, ao lado da estrada, associaram-se à imensa alegria aguedense. Nas Caldas, o clube local fazia a festa de subida da III à II divisão e as duas caravanas irmanaram-se durante vários minutos. Em Alcobaça (o Ginásio local descera da I à II divisão nacional) foi difícil passar em frente ao Mosteiro. A multidão, que aguardava com bandeiras gigantes do seu clube, queria bandeiras e cachecóis, apertando a caravana aguedense...

E até em Coimbra, por onde obrigatoriamente se tinha de transitar na ausência de alternativas viárias. Havia receio de que os “académicos” arranjassem problemas e os adereços foram arrumados por momentos. Seriam, porém, os adeptos do União, velhos rivais do “clube dos doutores”, a saudar vibrantemente, junto à Estação Velha, cada viatura identificada com as cores do Recreio.

 

A multidão junto à ponte

 

Já em Águeda, a dificuldade foi entrar pela única ponte então existente, que servia a principal estrada nacional do país e por onde passava todo o trânsito automóvel entre Porto e Lisboa.

Formaram-se longas filas de veículos e a multidão foi-se juntando na Praça da República, esperando ansiosamente os heróis da subida. Os jogadores regressaram já passava da meia noite, depois de um jantar no restaurante... S. Sebastião, em Pombal.

A festa arrastou-se pela noite fora, com o arraial das festas de S. Sebastião (realizada nesse ano nos terrenos onde hoje se situa o Centro Comercial Diana) a ajudar. Os sinais da euforia eram bem visíveis por todo o lado, até porque os jogadores se misturaram com os adeptos, celebrando nas ruas de Águeda.

publicado por Augusto Semedo às 15:36
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