COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

17
Jun 07

Os locais de natureza cultural classificados pela UNESCO como Património da Humanidade (há-os também de âmbito natural) devem apresentar traços singulares e excepcionais. São representantivos de perídodos históricos, que influenciaram a evolução do Mundo que herdámos, e considerados de importância universal. Evidenciar e preservar esse património é o objectivo da organização.

Em Espanha, país detentor de um valiosíssimo espólio arquitectónico e histórico, são 39 os locais reconhecidos. Fascina-me há anos a Cidade Antiga de Salamanca (classificada em 1988), já conhecia a Cidade Antiga de Ávila com as suas Igrejas Extra-muros (1985) e a Cidade Antiga de Santiago de Compostela (1985); ganhava crescente curiosidade em conhecer a Cidade Antiga de Segovia e seu aqueduto (1985), a Cidade Histórica Fortificada de Cuenca (1996) e a Cidade Histórica de Toledo (1986). As três num raio até 160 km de Madrid mas sem oportunidade de visita em 'saídas' anteriores. Desta vez foi...

Falta, ao nível de conjuntos urbanos do país vizinho, apenas o Centro Histórico de Córdoba (1984, 1994) e a Cidade Antiga de Cáceres (1986), entre vários outros edifícios e áreas naturais classificadas que vão desde a Galiza (Lugo) e Astúrias (Oviedo) ao Sul (Sevilha, Granada...) e costa mediterrânica (Barcelona, Valência...).

As férias servem cada vez mais para alimentar a crescente curiosidade em conhecer outras culturas e em compreender a evolução dos povos. Servem para contemplar (o que souberam construir e criar), para observar (a forma como se organizam), para reflectir e para compreender. São, sobretudo, tempo de valorização!

Nota 1: Em Portugal, a maioria dos 19 locais reconhecidos pela UNESCO como Património da Humanidade já foram motivo de visita. Desengane-se quem pensa que só se está a dar importância ao que existe lá fora... 

Nota 2: Estão publicadas 34 fotos da visita às três cidades Património da Humanidade. Incluem-se cinco fotos da "Ciudad Encantada", situada a 36 km da cidade de Cuenca, na serra desta província espanhola. É Sítio Natural de Interesse Nacional (classificado em 1926). Explicarei porquê em próximo post.

publicado por Augusto Semedo às 22:59
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06
Jun 07
"Falta ao Recreio uma melhor relação das pessoas com o clube" foi o título escolhido pelo jornal regional Litoral Centro para a entrevista que solicitou, concedida esta semana. Que aqui se reproduz. Embora aborde outros assuntos, com esta entrevista espero encerrar em definitivo as considerações sobre a época 2006/2007. Importa agora olhar em frente...
P - Que balanço se pode fazer de uma época que foi conturbada no Recreio de Águeda, se bem que só possa responder a partir de Janeiro?
R – A partir de Janeiro, como fala, o Águeda foi a sexta equipa mais pontuada da série, melhorou a sua eficácia ofensiva e defensiva e, pela primeira vez na época, registou um saldo positivo de golos. O que aconteceu a partir de Janeiro não envergonha ninguém. A recuperação aconteceu mas não foi suficiente. Era necessário um percurso sem falhas e isso dificilmente seria possível. Os jogadores, pelo seu esforço, mereciam como prémio a permanência.
 
P - O que falhou ao clube para se manter na 3ª divisão nacional?
R – Todos sabem. Perderam-se 10 dos 13 jogos disputados até Janeiro. Mas não me compete abordar esta matéria.
 
P - Como é possível num clube com o historial do Recreio de Águeda andar sempre num constante sobe e desce?
R- O clube vive hoje um paradoxo entre a actividade que gera e a imagem que tem no exterior. Desvaloriza-se o papel que ainda tem na sociedade aguedense e dá-se demasiada ênfase às questões polémicas e mais negativas. Isso não acontece com outros e daqui resulta o afastamento de muita gente que poderia dar um contributo decisivo. O clube mexe com muita gente, que o vive, cada um à sua maneira, mas falta um projecto mobilizador e que promova a coesão.
 
P - Afinal, o que falta ao clube para estabilizar de vez no futebol nacional?
R – No essencial, falta uma relação diferente, e uma melhor relação, das pessoas com o clube. E porque o clube é da comunidade, falta que esta se organize de forma a potenciar – e não a destruir ou a minar – o que de melhor tem para construir uma boa realidade colectiva.
 
P - Quando entrou para o comando técnico do Recreio de Águeda, como encontrou a equipa?
R- Os jogadores desconfiavam do seu valor e havia regras fundamentais num clube com as responsabilidades do Recreio que não estavam a ser cumpridas. É mais natural isso acontecer quando os resultados não aparecem. Depressa esse contexto foi invertido e o grupo passou a valorizar melhor o seu próprio trabalho.
 
P - O que se passou com a equipa, quando, a sete jornadas do fim, está em 10º, parece estar consistente e desce de divisão?
R – Se lhe respondesse iria parecer desculpa mas quem foi aos jogos viu o que se passou. A equipa continuou a corresponder como tinha feito nos jogos anteriores, exceptuando num deles. Houve ainda uma jornada de folga pelo meio que foi penalizante pelos resultados inesperados dos nossos adversários mais directos.
 
P - Para acabar com as especulações existentes, porque razão o Jason nunca foi opção para a equipa, sendo o terceiro guarda-redes?
R- Responder a especulações seria desrespeitar e desvalorizar quem não merece. A equipa está acima dos interesses individuais e as proezas e decepções são colectivas. Mas, ao contrário do que sugere a pergunta, todos os jogadores foram opção, por isso equacionados para serem utilizados em vários jogos.
 
P - Porque razão o Jason e o Quim abandonaram o clube ainda antes da época terminar?
R – Não há, da minha parte, nenhuma razão de queixa relativamente ao trabalho e empenhamento de todos os jogadores, a quem compete aguardar uma oportunidade para jogar. Por parte de todos, houve vontade e cumprimento das obrigações perante o clube, como se viu até ao último minuto do último jogo em Anadia. Esta atitude demonstrou a união do grupo nos quatro meses de trabalho conjunto, embora haja sempre quem deseje ter mais oportunidades para jogar. Quanto todos trabalham bem, todos se sentem titulares, o que é sinal de ambição e de motivação, mas às vezes também de ruptura.
 
P - Vai continuar no comando técnico do Recreio de Águeda?
R – Depende da vontade do clube. Depende da existência de uma direcção, do reforço do departamento de futebol e de um eventual convite, com a definição de objectivos, que me possam dirigir. Da minha parte, haverá sempre vontade de contribuir para a regeneração desportiva do clube mas não serei eu a oferecer-me.   
 
P – Se aceitar, o que pretende fazer para o clube regressar aos nacionais?
R – O sucesso desportivo é algo que se consegue em grupo e nunca de forma individual. O que é necessário, em primeiro lugar, é haver uma identificação de propósitos para se poder trabalhar de forma colectiva.
 
P - Como avalia, actualmente, a formação no clube? Tem qualidade?
R – Continua a haver valores com enorme potencial. Dantes, talvez houvesse uma maior exigência e as regras perante o colectivo talvez fossem levadas mais a sério. As regras de grupo são fundamentais para a formação não só do atleta como do futuro cidadão activo. O clube pode efectivamente fazer mais mas, para isso, os meios logísticos e humanos deveriam ser reforçados.
 
P - Os juniores Marco e David são apostas de futuro no Recreio de Águeda? Há mais diamantes por lapidar na formação do clube?
R – Do meu ponto de vista, os atletas que interessam ao clube devem obedecer a um perfil que, além da sua qualidade futebolística, privilegie a sua identificação com o clube, a sua vontade e dedicação (gosto pelo que faz), e a sua relação com o grupo. O futuro dos dois atletas que referiu, e de muitos outros com potencial que o Recreio continua a ter, depende não só da sua capacidade futebolística mas também humana e de trabalho.
 
P - Recebeu no domingo o prémio “José Maria Pedroto” da Associação Nacional de Treinadores de Futebol. Acha que foi o reconhecimento de uma carreira que já leva mais de 20 anos?
R – Foi essencialmente uma honra ter sido reconhecido pela classe, que melhor sabe avaliar o nosso trabalho, e ter sido distinguido com um prémio que tem o nome de um treinador de referência do futebol português. Estes prémios são natural motivo de satisfação mas não me envaidecem.
 
P - A Câmara Municipal de Águeda aprovou, recentemente, um programa de apoio ao desporto, que visa a formação. Como sabemos que foi ouvido, como o avalia? Cumpre os requisitos para se obter uma formação com qualidade?
R – A preocupação com a formação é fundamental mas não há formação sem rendimento. As autarquias têm um papel importante na criação de infra-estruturas e de serviços comuns a todos os clubes. Mais importante que os programas de apoio é haver sensibilidade para o desporto federado, respeito pela história das instituições que representam o concelho e consciência do seu papel na sociedade local. É dar mais qualidade ao que vem de trás e não criar rupturas com o passado. É mostrar aos agentes desportivos que há sensibilidade para com o que fazem e vontade real em os ajudar, não em palavras mas nas acções do dia-a-dia. 
 
P - As condições físicas que estão ao dispor do Recreio de Águeda permite uma formação como a que existia há 15 anos?
R – Há 15 e 20 anos, treinávamos em condições deploráveis. Mas as exigências, hoje, são outras: deve treinar-se mais vezes e com mais qualidade e há também mais equipas de formação. Por isso, é preciso mais espaço e também campos com qualidade e com piso relvado.
 
P - Dizia, no final da época, que havia gente em Águeda que queria levar o clube até onde merece estar. Porque razão essas pessoas não avançam?
R – Nós, que somos de Águeda, conhecemos muita gente com qualidade, que gostaria de desenvolver trabalho no clube. Terão certamente as suas razões para não avançarem. Como a minha área é desportiva, não sei quais serão.
 
P - Olhando para os clubes de Águeda, acha que a formação está a ser bem trabalhada? Fermentelos é um exemplo a seguir, na sua opinião?
R – A existência de muitas equipas não significa que haja melhor formação. De qualquer modo, verifica-se um esforço por parte dos clubes, faltarão, em muitos casos, os meios necessários. Principalmente humanos. E não falo somente de treinadores. Há um flagelo comum a todos os clubes, e não só no concelho: os pais, em muitos casos mas não em todos certamente, exigem demasiado dos filhos, muito cedo, e interferem demasiado na área do treinador. Estas gerações mais recentes querem tudo muito rápido, fruto da sociedade em que crescem, e os pais deveriam resfriar ímpetos e não estimulá-los.
publicado por Augusto Semedo às 09:57

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