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d'aquém e d'além

COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

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COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

No Jardim do Alberto João

Augusto Semedo, 29.05.07

São veredas e levadas, por entre montanhas e vales, locais que fazem da paisagem um (re)encontro sereno do Homem com a Natureza. Uma oferta que conquista turistas, sobretudo estrangeiros, novos e muitos deles já entradotes, corajosos na abordagem dos altos e baixos de percursos definidos, exigentes mas inspiradores.

É a simpatia e a hospitalidade, a gastronomia e a tradição, a história e a modernidade. É o bolo de caco, o peixe fresco, as espetadas e a poncha. É o dialecto, quantas vezes imperceptível. São os licores e o artesanato; os museus e jardins; os túneis que aproximam as pequenas comunidades locais e evitam as labirínticas estradas que serpenteiam as imensas montanhas. É a vegetação, densa tantas vezes, e paisagens que nos reconciliam com a pureza de um Mundo que tão pouco partilhamos...

   

O balanço... sucinto

Augusto Semedo, 29.05.07

Terminada a época 2006/2007, foi-me solicitado que respondesse a algumas questões, em género de balanço, ao semanário Soberania do Povo. O teor é o que segue:

 

1- O que correu mal no Recreio para não conseguir a manutenção nos nacionais?

R – Entrando apenas em Janeiro, como entrei, não me compete fazer o balanço da época. O que posso dizer do nosso trabalho, da minha equipa técnica, médica e dos jogadores, é que não temos motivos para nos envergonhar com o que fizemos. Fomos a sexta equipa mais pontuada no conjunto dos 15 jogos que orientei e, tirando dois jogos, deixámos tudo em campo. Melhorámos a eficácia defensiva e ofensiva, fomos mais competitivos e demos uma imagem mais consentânea com as responsabilidades históricas do clube. A generosidade dos jogadores merecia outro desfecho!

 

2- Que repercussões poderá trazer para o clube esta descida aos distritais?

R – A descida é má, sem dúvida. Mas, muito pior que a descida, será manterem-se os motivos que originaram esta situação. O clube continua a ter muita gente que o segue, que vive o seu dia-a-dia, internamente é um clube com uma enorme vitalidade (é só ver o movimento que gera diariamente no estádio municipal…), continua também a ter muita gente que gostaria de ser presidente; precisa é que todos esses aguedenses se unam em torno do clube e deixem de alimentar questiúnculas geradoras por vezes de alguma instabilidade.

 

3- Está disponível para treinar o Recreio de Águeda na próxima época?

R – Segundo sei, o presidente vai pedir para que sejam convocadas eleições. Só com uma direcção, e dentro desta com um departamento de futebol à altura das responsabilidades do clube, será possível avançar para uma nova época. Terei todo o gosto em contribuir com o meu trabalho para a regeneração desportiva do clube mas, primeiro, terão de ser criadas condições para que tal seja possível.

 

4- Que conselhos daria aos responsáveis do Recreio da próxima época?

R – Os conselhos que possa dar são coisas internas, porque um trabalho num clube exige lealdade e solidariedade entre todos os agentes importantes para o seu sucesso.

 

5- Poderá o Recreio voltar aos nacionais na próxima época, atendendo que para o ano defrontará equipas como o Gafanha, Paços de Brandão, Canedo, Cesarense e Estarreja, entre outras?

R – O Recreio é um clube com história, continua a ser uma referência desportiva do concelho de Águeda e é capaz de se regenerar desportivamente. Há exemplos de clubes, em Portugal e por esse mundo fora, que viveram momentos mais delicados e nem por isso deixaram de ser uma referência e de perder peso e influência; pelo contrário, foi nesses momentos que ganharam mais força e dinâmica. Depende sempre do envolvimento das pessoas. Quem esteve em Anadia, no domingo, viu que uma equipa que desceu tinha tanta ou mais gente a acompanhá-la que um clube, também com história e prestígio, que festejou a subida. Se fosse ao contrário, o Recreio teria feito da subida uma festa bem maior, porque tem mais força associativa. Sobre o próximo campeonato, digo-lhe que esses clubes que referiu, e outros que não nomeou, irão ter no Recreio a principal referência da época. Essa é uma responsabilidade que os aguedenses devem assumir.

Dignidade na homenagem

Augusto Semedo, 21.05.07

"Grande dignidade em campo. Ninguém podia exigir mais à equipa técnica e aos jogadores. Abraço"

Esta foi a primeira de algumas mensagens que recebi após o jogo em Anadia. De um ex-atleta e actual treinador, de alguém que esteve sempre próximo nesta missão que não terminou como todos queríamos. E a quem agradeço o apoio, em especial naqueles momentos que quem anda nisto sabe que não são particularmente favoráveis.

Aos jogadores pedi que fizessem, no derradeiro compromisso de uma época difícil (tormentosa para quem a viveu desde os seus primeiros meses), que fizessem, dizia, uma homenagem ao seu trabalho, ao seu esforço e à sua capacidade de resistência mental.

Seria esse o objectivo fundamental para o jogo com o Anadia. O que se passava nos outros campos só nos poderia vir a interessar se saíssemos vitoriosos do nosso jogo.

Não saímos. Saímos tristes e destroçados. Mas conscientes de que, apesar do resultado, trabalhámos até à exaustão por um desfecho positivo. Jogámos mais e melhor, pressionámos, criámos oportunidades... Caímos com honra!

De pouco terão valido as minhas palavras no fim, num balneário despedaçado, mas senti a obrigação de me curvar perante a imensa disponibilidade dos jogadores: "Nunca me senti tão orgulhoso de vocês como hoje!"

Agradeço ao grupo - jogadores, equipa técnica (Carlos Miguel e Rui Marques) e médica (enfermeiros Miguel e Pedro). Demos a cara, fomos Homens. Lá diz Manuel Sérgio: "Mais importante que a vitória e a derrota, é a forma como se ganha e se perde". 

Uma entrevista antes do último jogo

Augusto Semedo, 18.05.07

O semanário Região Bairradina (com sede em Anadia) solicitou uma entrevista, publicada esta semana, antecedendo o jogo do Recreio de Águeda em Anadia, para a última jornada do campeonato.

P - Voltou a ingressar naquele que é, assumidamente, o seu clube do coração. O que o fez regressar, depois de ter recusado o convite feito no início da época?

R – Já disse publicamente que, no início de época, o convite não foi genuíno mas fruto das circunstâncias. Quem quiser interpretar bem as minhas palavras, fá-lo-á com facilidade. Regressei mais tarde depois de muito terem insistido e de não ter conseguido dizer não a uma situação que não me deixava indiferente. Houve também razões para dizer sim que superaram outras que apontavam em sentido contrário.

 

P - Hoje, em jeito de balanço, é possível dizer-se que valeu a pena regressar a casa?

R – Há, pelo menos, uma razão para pensar que valeu a pena. A situação da equipa em Janeiro não me deixava indiferente mas havia indiferença, ou antes um conformismo quase generalizado, perante um destino que se afigurava mais do que certo. A segunda volta da equipa devolveu algum do orgulho e paixão a um clube que merece muito mais pelo seu percurso histórico e por tudo quanto tem feito pelo futebol.

 

P - Como encara o jogo com o Anadia, na última jornada do campeonato?

R – Como todos os outros. Os jogos existem para serem abordados com o objectivo de ganhar os três pontos. Procuraremos acabar o campeonato apelando ao brio que tem caracterizado o nosso grupo.

 

P - Nessa partida, vai encontrar alguns jogadores que saíram do Águeda, no início da temporada, num processo algo complicado. Teme que esse factor, juntamente com a subida de divisão, possa galvanizar o seu adversário?

R – Os adversários são para serem respeitados mas nunca temidos. Temos defrontado, neste campeonato, e invariavelmente, gente conhecida do dia-a-dia, mas cada qual sabe o seu papel no jogo e honra fundamentalmente o seu trabalho.

 

P - Que comentário lhe merece a subida de divisão conseguida pela equipa anadiense?

R – O Anadia fez uma época surpreendente e merece amplamente esse prémio. 

 

P - Vai continuar a ser o treinador do Águeda, na próxima temporada?

R – Vou terminar o campeonato a 20, vou sair por uns dias na semana seguinte e só depois vou pensar no que fazer a seguir.

 

P - Treinador de futebol desde muito jovem, conseguiu feitos notáveis e chegou a ser reconhecido a nível regional. O que falta para atingir voos mais altos?

R – Embora tenha uma atitude de permanente auto-crítica e possa ter uma opinião sobre isso, a resposta a essa questão deve ser dada por aqueles que sabem porque dão oportunidades a uns e não as dão a outros. 

Cego, surdo e mudo...

Augusto Semedo, 18.05.07

As portagens, pelos vistos, vão avançar nas A17 e A29. Contra toda a lógica e bom senso. A favor da empresa concessionária da A1 e contra os utentes diários daqueles troços, ambos contruídos em perfil de auto-estrada para desafogar a congestionada e anacrónica EN109.

O Governo da Nação é cego, surdo e mudo. Decide e pronto. De nada vale protestar a profunda injustiça de tal decisão. O apelo dos cidadãos pouco importa; serão eles sempre a pagar os interesses das empresas e os erros dos políticos.

Mesmo que lhes tenham dado auto-estradas quando o que os cidadãos queriam, há décadas, era afinal uma alternativa mais capaz à EN109. Mesmo que lhes tenham dado mais do que uma simples alternativa porque o Estado, não tendo capacidade para investir ou achando existirem outras prioridades, recorreu ao apoio de parceiros; a quem depois haveria de pagar a utilização da via, inicialmente sem custos para o utilizador.

Por isso é que, na lógica dos políticos que nos governam mas não escutam o grito do nosso descontentamento, faz todo o sentido não haver uma redução do preço das portagens quando há trabalhos na via. 

A arte da vida

Augusto Semedo, 03.05.07

Um dos meus juvenis faltou ao treino. Estranhamente. As regras estipuladas, e habitualmente cumpridas pelo grupo, exortavam a comunicar ao treinador, antecipadamente, o motivo da ausência. Tal não aconteceu desta vez.

Como a época ainda não conhecia telemóveis, só mais tarde se soube que o rapaz, de 15 anos apenas, metera na cabeça a ideia de fazer a volta a Portugal em bicicleta. Para obter os seus minutos de fama, via jornais, pois a televisão ainda não se preocupava com coisas dessas.

Houve quem lhe desse o prazer do momento, passado o qual havia que continuar o dia-a-dia. E voltaram a família, a escola, o futebol e os amigos de sempre ao seu quotidiano.

Afinal, ele só estava adiantado alguns anos (18?) ao fenómeno a que hoje se assiste. A televisão aumentou exponencialmente a força da comunicação. E quem melhor souber tirar partido da imagem conseguirá abrir portas que se fecham a muitos sem apetência pelas luzes da ribalta mas a quem sobra competência para construir realidades positivas.

Ver hoje um bom comunicador dizer que quer chegar longe numa área em que entrou apenas recentemente, como saber que o mesmo já participa em acções diversas sem se conhecer exactamente o que terá feito até aqui que o sugira (para além de existir quem alimente o ego só por estar perto de um 'telefulano'), são exemplos de que a ficção se confunde com a realidade não na "Sétima Arte" mas na "Arte da Vida".