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d'aquém e d'além

COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

d'aquém e d'além

COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

Cultura da irresponsabilidade

Augusto Semedo, 31.08.06

1 - "Abriu a época de fogos!" Assim, sem mais nem menos, um conhecido jornalista da RTP, que até se dá ao luxo de piscar o olho aos telespec-tadores no final dos serviços noticiosos que apresenta, dava início ao Telejornal. Anunciava, com ênfase desmedida, a abertura oficial da época de incêndios. Antecipava, compreendeu-se depois, a transmissão de um Jornal da Tarde especial, no dia seguinte, directamente de Santa Comba Dão. Uma emissão que dava conta das novidades governamentais em matéria de combate aos fogos florestais. Ao jeito: venham esses pirómanos que agora nós estamos preparados!

Sucedeu isto numa estação pública de televisão de um país de risco: devido às condições climatéricas e, confere um estudo recente, ao comportamento dos portugueses. Estudo segundo o qual dois terços dos incêndios florestais que ocorreram o ano passado em Portugal deveram-se à acção humana e poderiam ter sido evitados; isto é, foram provocados intencionalmente ou por mero descuido. Apesar dos avisos e da publicidade inconsequente que ano após ano são profusamente difundidos.

A gravidade deste flagelo - pelas repercussões económicas e ambientais que provoca mas também pela preocupante onda de piromania que está na sua origem - devia merecer um tratamento mais responsável. Não só por parte da Comunicação Social mas fundamentalmente da classe política, que tem aqui uma bela ocasião para demonstrar que consegue colocar as necessidades do país acima das tricas; que consegue agir para o bem comum em vez de querer propaganda ou de se ficar apenas pelas críticas.

Enquanto isso, a floresta vai ardendo, naquela que é uma das enormes vergonhas nacionais. Uma vergonha que merece mais do que a adopção de medidas isoladas e que carece do empenhamento efectivo de todos para que evite atingir as actuais proporções alarmantes.

Questiona-se porém se, neste país, algumas realidades públicas podem continuar a alimentar o seu aparente sucesso sem a necessidade de apelarem à mediocridade.

2 - Num dos dias quentes do mês de Agosto que agora termina, na mesma RTP, uma repórter questionava (e bem) os banhistas que acabavam de mergulhar nas águas poluídas de uma praia do Grande Porto. As placas de interdição não os inibiam, como se tudo estivesse como dantes; e todos, dos mais jovens a idosos, homens e mulheres, justificavam-se com a ligeireza a que nos acostumámos. Com as habituais desculpas esfarrapadas...

Se acaso as autoridades não tivessem avisado da interdição, aqueles cidadãos adoptariam idêntica atitude ou antes, como também é frequente, convocariam as TV’s para surgirem indignadas nos três minutos de ‘estrelato’? Ou estariam a recorrer ao tribunal tentando eventuais indemnizações por danos causados à sua saúde?

Águeda e as rodovias

Augusto Semedo, 18.08.06

LIGAÇÃO À A25 - A ligação concluída há 12 anos (ainda IP5) revela-se uma óptima via directa à nova auto-estrada (apesar das curvas do troço Á-dos-Ferreiros - Talhadas). Ao nível do trânsito interno, foi muito importante para as povoações anteriormente mais isoladas da ainda freguesia de Águeda (Catraia de Assequins/ Giesteira/Maçoida) e para as freguesias do Préstimo e Macieira de Alcoba.

VARIANTE - Foi indiscutivelmente um investimento muito importante para o trânsito nacional e local, que "entupia" a irritante EN1, pejada de "pontos de conflito": cruzamentos, entradas para empresas e residências, e centro urbano da cidade. Águeda beneficiou com a execução de uma obra almejada há muito, porque retirou do seu centro urbano muito da sua poluição sonora e ambiental. Por outro lado, e relativamente ao tráfego local, a nova infra-estrutura permite uma melhor distribuição do trânsito, utilizando os quatro nós existentes, sem necessidade de se passar obrigatoriamente pelo centro da cidade. Negativo o facto do nó de Águeda Centro ainda não estar a ser utilizado na sua plenitude, devido à inexistência da ligação à A1 (variante da EN333).

IC2 - A variante, por si só, não resolve as dificuldades crescentes no acesso a Coimbra: demora-se uma hora, ou mais, a fazer 40 quilómetros! Por outro lado, o acesso a Albergaria-a-Velha ou ao nó de Albergaria da A1 é, ano após ano, cada vez mais difícil, porque o trânsito também aumenta. Em resumo: a variante é óptima para o centro urbano de Águeda e para a fluidez do trânsito local, mas claramente insuficiente face aos "pontos de conflito" da via que integra (IC2), o mais recente dos quais o cruzamento do Campolinho (Mourisca do Vouga).

VIA DE CINTURA - O lanço entre a Alagôa e o cruzamento da EN1 (Famel/Silva & Irmão/Modelo) é obra adiada há mais de uma década. Os automobilistas utilizam uma ligação construída provisoriamente (?) com uma passagem de nível sem guarda pelo meio. É essencial para a distribuição do trânsito local: quem utitilize o nó de ‘Águeda Norte’ (na variante), ou seja proveniente de Aveiro/Travassô, tem acesso facilitado a Ameal/Assequins/Catraia/Ligação A25/Castanheira do Vouga/Caramulo, ou ainda à várzea da cidade/Borralha, sem necessitar de passar pelo centro urbano de Águeda.

LIGAÇÃO À A1 - Falta tudo. Será a continuidade da EN333 (executada a ligação Talhadas/Águeda até ao Sardão) mas não se adivinha quando estará concluída. Para já, fez-se a ligação do Sardão (em Águeda) ao IC2 Águeda Centro. Para depois (já ontem era tarde!) alguém há-de anunciar a ligação daquela povoação a Mamodeiro (nó da auto-estrada), projectada para passar entre Perrães/Beco e Fermentelos.

EIXO ESTRUTURANTE AVEIRO/ ÁGUEDA - Falta tudo. Trata-se de um projecto intermunicipal resultante das dificuldades na ligação entre as duas cidades. Retiraria o trânsito do centro de Travassô (como de Eixo, Azurva e Esgueira) e tornar-se-ia numa via rápida com quatro faixas de rodagem. As últimas informações já davam conta de que teria rotundas no município de Aveiro. Uma via rápida (anunciada) com rotundas? A admiração não é caso para menos. Não tem passado de arma de arremesso político e as promessas dos profissionais da política têm sido mais que muitas. Até quando?

Segurança mínima

Augusto Semedo, 17.08.06
Com estradas como a que liga Águeda a Aveiro como se pode apelar, em consciência, à segurança de quem circula pela via ou na borda, devido à inexistência de passeios?
À saída do centro urbano de Águeda - em Paredes - surge-nos a imagem que se prolonga quase por todos os 19 quilómetros da estrada nacional 230. Às portas da cidade, quem sair das casas, distraidamente, para a rua, sujeita-se ao pior.
A estrada, com um movimento local apreciável, não tem zonas de segurança, tem imensas curvas, tem muitas entradas particulares, não tem passeios, é estreita... está claramente aquém das necessidades há já vários anos. E o que dizer de Travassô, de Taipa (Eirol), de Eixo e até de Azurva?
As nossas estradas estão como eram no tempo dos carros de bois ou da época em que o tráfego era incomparavelmente menor que o volume actual. Os carros circulam hoje a velocidades superiores, o piso betuminoso facilita a circulação e o trânsito pesado justifica a adopção de outros cuidados. Principalmente se se tiver em conta que este troço da EN 230, entre o centro urbano de Águeda e o Raso de Paredes, serve uma importante área industrial do município.
Nunca foi rectificado, nunca mereceu o tratamento próprio de um artéria urbana ou semi-urbana - que o é na realidade! Quanto tempo mais teremos de suportar a ausência de investimentos públicos capazes de corresponderem às evidentes necessidades da nossa comunidade?

A encruzilhada da sinalização

Augusto Semedo, 17.08.06
A encruzilhada de Águeda face à rede viária nacional encontra na sinalização um testemunho evidente. Como se não bastasse que as principais vias criadas nas últimas décadas passem a mais de uma dezena de quilómetros da sede do município – facto pouco significativo caso existissem ligações modernas – quem se guiar pelas indicações das placas arrisca-se a conduzir mais de uma dezena de quilómetros para chegar à cidade.
Na prática, os aguedenses utilizam o nó de Albergaria para se dirigirem para Norte através da A25 e da A1. Contudo, quem se dirigir para Águeda seguindo as indicações colocadas na via sairá da A1 apenas no Mamodeiro – trajecto que representa um aumento de quilometragem e mais perda de tempo, até porque sobre a ligação do Mamodeiro a Águeda estamos conversados. Pergunta-se: está correcto, do ponto de vista prático para os utilizadores de uma via (que por acaso é muito bem paga!!!), que esta situação se mantenha?
Já para quem vem do Sul a situação não é tão clara. Apesar de muitos ague­denses utilizarem o nó da Mealhada da A1 – número que vem diminuindo devido às dificuldades crescentes para cumprir os 25 quiló­metros a uma média aceitável – a opção pelo Mamodeiro, mesmo nas actuais condições de acesso a Águeda, só não é uma vantagem para quem não quiser pagar mais pela portagem.
 
Situação bizarra na A25
 
Situação bizarra passa-se na A25, particularmente no nó das Talhadas. A indicação de ‘Águeda’ vê-se já à saída e a custo. Está estranhamente ausente na primeira indicação de saída. E é estranho porque a EN 333 foi construída e valorizada há mais de uma década para servir a ligação da cidade/município com o antigo IP5; e também para ligar esta via rápida convertida em auto-estrada à região da Bairrada e ao IC2 – evitando assim a utilização do nó de Albergaria para quem transitava a partir do Sul. Pelo menos, esta era uma das justificações na época para a construção e valorização da EN 333.
Neste caso, quem optar pelo nó de Albergaria vindo do interior fará mais de uma dezena de quilómetros para chegar a Águeda. E sendo Águeda um município importante pelo tráfego que a sua actividade inegavelmente gera, não se compreende a sua ‘subalternidade’ na indicação fornecida no nó das Talhadas.