COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

12
Jan 07

Há ano e meio, numa pequena povoação do litoral da Cantábria, um proprietário de hotel denominou-os "portugueses da Galiza", referindo-se aos galegos.

Não foi a primeira vez que, em conversa com espanhóis, pude constatar as profundas diferenças, geradoras de fricções mais ou menos latentes, que existem entre as comunidades autónomas do país ibérico.

Há um ano, na Corunha, um recepcionista de hotel esforçava-se por me evidenciar as diferenças de comportamento entre um galego e um catalão perante um português: enquanto o primeiro comunicava de forma a fazer-se entender com mais facilidade, o segundo fazia questão de vincar o dialecto local para alegadamente estabelecer diferenças e tornar mais complicada a compreensão.

Rivalidades à parte, há razão quando se compara a Galiza a Portugal. Na simpatia e cordialidade das pessoas, na arquitectura paisagista e ordenamento urbano, nas disparidades entre as quatro províncias e entre os meios urbanos e rurais... São mais as semelhanças que as diferenças, principalmente se a nossa atenção despertar além das principais cidades e das auto-estradas que as unem.

Confesso que não conheço bem a interioridade galega. Desta vez, porém, fui ao encontro de uma Galiza litoral que mostrou traços de ruralidade próximos de áreas do interior lusitano. Uma Galiza formada por pequenas mas numerosas comunidades piscatórias, com uma profunda e sentida ligação ao mar.

A Costa da Morte - identificada à partida pelas trágicas e seculares histórias de naufrágios, tendo como cenário comum as suas constantes reentrâncias - tem para oferecer uma enorme beleza paisagística. Ali, montes e praias confundem-se com estuários, enseadas e uma vasta vegetação, cruzando em permanência o azul e o verde. E há a gastronomia, o acolhimento, o artesanato, algum património histórico...

A massificação do turismo permanece distante (Agosto à parte) e o crescimento anual de 3,5% que a comunidade autónoma da Galiza conseguiu em 2006 parece não ter chegado a povoações que ainda reflectem o isolamento do passado. Aos habitantes locais que ambicionem mais que a pesca e a agricultura só lhes resta, também, a emigração (tendo como destino outras comunidades espanholas ou o estrangeiro).

 

publicado por Augusto Semedo às 11:50
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