COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

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Out 08

Anda por aí grande alvoroço com o estudo prévio da nova auto-estrada, que substituirá o actual IC2.

Queríamos todos, e justificadamente, uma ligação menos penosa a Coimbra e à A1 quando nos dão uma nova auto-estrada. A bem feitoria seria bem recebida se não houvesse lugar ao pagamento de portagens.

Afinal de contas, uma variante ao actual IC2 - sem entradas particulares nem cruzamentos, sem semáforos nem rotundas, e sem limites de velocidade, em alguns casos ridículos - seria suficiente. Mas o Estado vai dar-nos três auto-estradas praticamente paralelas, embora com custos para o utilizador.

É caso para perguntar, porque é legítimo fazê-lo: Águeda e as populações vão ficar a ganhar?

Águeda vai deixar de ter variante, aquela que reclamou há décadas e que viu ser satisfeita já neste século. Por essa Europa fora, o trânsito foi desviado do centro urbano das cidades com a construção de variantes; mas, pelos vistos, vai haver uma inversão completa e o ilógico irá prevalecer. A menos que o troço próximo da cidade fique isento do pagamento de portagens (o que acontece, por exemplo, com a A8 nas Caldas da Raínha e em Óbidos). Caso não aconteça, quem não quiser, ou não puder, pagar portagens passará a transitar de novo pelo centro urbano de Águeda. Será isto evolução? Será Águeda, de facto, beneficada pela nova auto-estrada? Afinal, queríamos tão só uma ligação mais rápida, liberta de estrangulamentos, em direcção a Coimbra!

Mais a Norte, a situação de Mourisca do Vouga parece ser ainda mais preocupante: se a nova auto-estrada for portajada e caso seja duplicado o actual IC2 por onde passará o trânsito que não circular pela nova via? Pelo centro da Mourisca? Por aquela estrada que já hoje não tem largura suficiente para o volume de tráfego que por ali circula? Será que resulta em benefício da população local? Ou, por outro lado, serão salvaguardados corredores alternativos, contra o interesse da empresa que irá explorar a auto-estrada? E quem os pagará? O Estado ou as autarquias locais?

Há questões que deveriam ser respondidas quanto antes e preocupações que deveriam ser assumidas pelos cidadãos - que serão, no futuro, as principais vítimas de uma política que irá contribuir para a exclusão de grande parte da população. Num país - tenha-se isso em conta - onde muitos vivem no limiar da pobreza e que não tem um serviço público de transportes eficaz que sirva de alternativa.

Já agora: Partindo do princípio de que os nós de uma auto-estrada não podem ficar próximos uns dos outros, onde irá a população local aceder ao novo IC2?

publicado por Augusto Semedo às 21:59

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