COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

27
Mai 08

Avran Grant - Nem sei se é bem assim que se escreve o nome. O homem não é figura simpática. É parcimonioso, talvez em excesso. Como chegou ao Chelsea não sei nem me interessa. As relações que mantinha com Mourinho enquanto conviveram, já numa fase de turbulência interna com reflexos nos resultados da equipa, adivinharam-se sempre difíceis. O ingresso do israelita nos 'blues' indiciava dificuldades internas para o exuberante Mourinho. 

Independentemente da forma como terá entrado, Grant foi capaz de lidar com um balneário dividido entre o apoio, a rejeição e a indiferença à mudança técnica; de ultrapassar as saudades de Mourinho e as desconfianças iniciais; de construir uma equipa igualmente sólida e mais desinibida até nos seus processos ofensivos. Recuperou, de forma notável, o atraso no Campeonato e fez o melhor percurso de sempre para o clube na Liga dos Campeões. E se a presença na final dependeu de pequenos pormenores que deram felicidade ao Chelsea, a fronteira entre o sucesso iminente e o fracasso doloroso diante do afortunado (naquela noite...) e titulado Manchester United teve apenas como responsável único e evidente meras circunstâncias casuais e fortuitas, próprias deste jogo. 

Grant acabou por ser vítima injusta. Como antes tinham sido Raniere e Mourinho. Como a seguir será o próximo.

Treinador que marcou o Chelsea e o futebol inglês como poucos mas nem sempre por razões aplaudidas, Mourinho - independentemente das razões pessoais que lhe possam caber - foi injusto e deselegante ao criticar o seu sucessor. Se ganhou muitas competições, noutras também se ficou pelo quase - e não terá sido por escassez de ambição ou de competência. Simplesmente porque, havendo treinadores 'especiais', nenhum deles é Deus. Como português e admirador das suas qualidades (embora não de forma cega e imprudente...), espero que a Mourinho não lhe aconteça o mesmo que ao homem que o substituiu com sucesso e competência no Chelsea - que um dia acabe despedido apenas porque a sua condição humana não pôde controlar o factor aleatório associado ao jogo.

Selecção - A campanha mediática voltou e os excessos regressam. Que a nossa equipa represente condignamente este país socialmente atormentado, honrando-o e prestigiando-o perante o Mundo. Que revele coesão e ambição, dando vitalidade aos grandes valores morais e volitivos associados à performance desportiva - e exemplos para muitos percursos de vida de cidadãos anónimos. Que promova o orgulho patriótico e continue a ser uma mais valia na promoção de Portugal.

O resto (os objectivos competitivos que lhes são exigidos como se jogássemos sozinhos e fossemos os melhores sem rival) deveria vir em consequência. Mas, definitivamente a ponderação - tendo-a, pode ser-se igualmente ambicioso! - não é connosco...

publicado por Augusto Semedo às 10:58

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