COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

05
Jan 08

O primeiro aviso sonoro da lambreta surgira bem em cima da ponte de Trajano, sobre o Tâmega. Antes do senhor Otelo imobilizar o veículo junto às margens do rio e voltar a ecoar aquele sinal, semelhante ao grasnar com que os patos respondiam enquanto se aproximavam. Lá longe, dois deles davam às asas, recuperando a distância para os demais.

Grasnando constantemente, os patos dirigiram-se aquela margem, subindo a ligeira inclinação de relva e aguardando, de bico no ar, a vez de aproveitarem a refeição que o senhor Otelo lhes trouxera.

Contou-nos que faz isto há cinco anos. Todos os dias. Trata-os pelo nome. Sabe quem são os mais envergonhados, a quem precisa de atirar o pão; e os atrevidos e desenrascados, sempre na primeira fila à espera de mais. Mostrou-nos o dedo que, há uns anos, quase era arrancado por um pato grande. Levara-lhe o anel mas conseguira recuperá-lo. E há ainda o pato que ficou sem uma pata, não conseguindo por isso subir até ele, e que quase morrera sem alimento.

"Pronto, já não há mais! Hoje, acabou!".

Levantou-se, os patos voltaram às águas do Tâmega. Sorriu, gostou de ser fotografado e deu o endereço para que lhe enviasse uma. Quase acabávamos aquela tarde fria em sua casa, ali a dois passos do centro de Chaves, vencidos pelos repetidos convites em saborear as irresistíveis iguarias locais.

publicado por Augusto Semedo às 22:37
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se vier a belazaima também encontra patos desses!!
lol
canto serrano a 9 de Janeiro de 2008 às 21:36

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