COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

15
Nov 07
Os pais que assistiam ao jogo na bancada achavam piada ao facto do treinador continuar a insistir para que a sua equipa não perdesse a concentração e capacidade competitiva, mesmo estando a ganhar por uma diferença tão significativa. A alegria por verem a equipa dos seus filhos (ainda em processo de formação) ganhar amplamente ofuscava a exigência que o treinador mantinha até ao final da competição.
O que faz, afinal, evoluir um atleta? As vitórias e os títulos de campeão? Ou a superação, encarando com total disponibilidade as sessões de treino e os jogos?
As vitórias são motivadoras e enchem o ego de quem as consegue. São importantes, porque estimulam; mas podem ser inconsequentes, no futuro do atleta, se não encontrarem suporte no trabalho desenvolvido e numa atitude que privilegie a vontade de fazer cada vez melhor.
Um atleta pode ganhar a um adversário de menor capacidade sem para isso ter necessidade de estimular todas as suas competências; e pode perder contra um adversário que lhe é superior, mesmo aplicando-se totalmente para evitar tal desfecho.
No segundo caso, apesar do resultado negativo, o atleta superou-se e adquiriu competências; no primeiro, o atleta venceu mas desperdiçou mais uma oportunidade para evoluir.
Superar é ir à procura de fazer cada vez melhor, dando respostas ainda mais capazes perante os diferentes desafios que a competição coloca permanentemente.
Se todos os dias, em treinos e jogos, o atleta procurar ultrapassar os seus próprios limites, em situações competitivas diversas, tentando vencer as suas próprias capacidades, estará no caminho certo.
Esta atitude exige atributos morais e manifestações de vontade tão (ou mais) essenciais ao percurso futuro do atleta como o seu potencial físico ou técnico-táctico.
Não por acaso, conhecem-se casos de atletas que se afirmam precocemente (à frente de todos os outros), admitindo-se de imediato um enorme sucesso; para mais tarde não confirmarem as expectativas – e serem até ultrapassados por alguns dos que, revelando superior capacidade de trabalho e adequada atitude mental, não perspectivavam antes carreira tão auspiciosa mas souberam potenciar melhor os seus recursos.
Daí, os resultados não deverem ser o único, nem sequer o mais importante, parâmetro de avaliação da acção de um treinador e do potencial de um atleta. Muito menos nos escalões de formação. Fazer compreender isto à sociedade actual, principalmente a pais e dirigentes, será tarefa possível?
Haverá sempre necessidade de definir metas para a competição - realistas e sempre na sequência do trabalho efectuado - que nem sempre passam pela vitória mas por objectivos de performance que ajudem a aferir a evolução conseguida.
publicado por Augusto Semedo às 12:10

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