COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

19
Out 07

Madruguei naquela terça-feira que se adivinhava soalheira. Informara-me de que tinha de ser assim para evitar as imensas filas para entrar no Vaticano. Às 8 em ponto (menos uma hora em Portugal) era o quarto à espera de subir de elevador à cúpula da Basílica de São Pedro. Comigo, duas jovens asiáticas pareciam ter tido a mesma ideia: haviam apanhado o autocarro 40 na estação Termini, no centro de Roma, e sairiam na mesma paragem para percorrerem a avenida da Conciliação. Uma prescindiu do elevador e quis subir os 500 e tal degraus a pé; a outra fez como a maioria, mesmo que se tenha ainda de fazer mais de 300 degraus, por entre escadas estreitas e progressivamente inclinadas, até se chegar ao patamar superior. Quem sofra de claustrofobia o melhor mesmo é ficar cá por baixo...

Quando saí, para me dirigir ao Museu, um quilómetro a contornar muralhas do Vaticano, a fila perdia-se em ziguezagues, antes do controlo obrigatório.

O pior estava para vir: quinhentos metros de gente proveniente de todo o Mundo, retida em toda a largura do passeio e obrigada a longa espera.  A fila crescia e não dava sinais de avançar. Vinte metros percorreram-se na primeira hora! Comprei uma garrafa de água a uma senhora que abrira cuidadosamente uma mochila enquanto olhava em redor se a autoridade policial a descobria. Bebi vagarosamente e, à falta de melhor, fui dando uns passos a toda a largura do passeio. De cá para lá e de lá para cá... massacrando a garrafa até ficar farto e a colocar no recipiente do lixo. Depois, andou-se bem melhor na hora e meia restante. Graças a Deus! 

Valeu contudo ter a paciência que outros não mostraram e investir num museu que fascina com os valiosos acervos, testemunhos da História da Humanidade. A extraordinária beleza do espólio também faz esquecer o tempo perdido na longa fila.

O local inspira. Fora, apesar da espera, e dentro a ordem, a tolerância e a cordialidade imperam. O momento é único e povos de todo o Mundo parecem esquecer o ruído com que convivem lá fora...

Mesmo para um cidadão comum um dia é escasso para apreciar convenientemente aquele espaço. E apesar de não deixarem fotografar a famosa Capela Sistina, e de várias restrições em determinados espaços, o difícil mesmo é conseguir seleccionar os imensos registos que testemunham a visita para a posteridade. O melhor é visitar!  

publicado por Augusto Semedo às 15:17
tags:

Outubro 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
12
13

14
16
17

21
23
25
27

28
29
30


mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

2 seguidores

pesquisar neste blog
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

blogs SAPO