COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

08
Jul 07

Faltam os bois e o enorme esforço braçal a manejar os remos quando os pequenos barcos enfrentavam ondas gigantes e se faziam ao mar. Mas ainda recordo a infância e a adolescência sempre que, ano após ano, cumpria o habitual mês de férias na Praia de Mira.

Recordo especialmente os momentos de pânico das mulheres sempre que o tempo mudava repentinamente: com os homens no mar e as redes lançadas, o nevoeiro impedia que a terra se avistasse e fosse a referência para o regresso. Tocava o sino da modesta capela e lançavam-se foguetes. 

Por entre gritos lancinantes, a praia agitava-se e mantinha-se expectante. Os veraneantes comungavam da aflição que tomava conta de quem tinha o mar como sustento, enquanto não se vislumbrava o regresso dos pescadores e das suas embarcações por entre o denso nevoeiro. E o sentimento, de repente, mudava: as lágrimas eram agora por de novo poderem abraçar quem regressara de mais uma dura prova de vida.

A arte xávega subsiste, apesar das dificuldades. É um bom cartão de visita para turista ver e suscita a curiosidade dos miúdos. "Tanto trabalho para tão pouco", comentava uma veraneante ao ver o peixe que a rede trazia. É verdade: mesmo com os tractores em terra e com os motores no barco a tornarem mais facilitados alguns dos muitos afazeres, o trabalho continua duro e exigente e talvez pouco recompensador. Subsiste, particularmente nos mais velhos, o fascínio por um certo modo de vida a que alguns se habituaram e talvez já não prescindam.

publicado por Augusto Semedo às 14:27
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