COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

26
Jul 08

Os miúdos faziam gincana com o carrinho que transportava a bagagem e só sossegram quando foram parar ao chão. Só aí a mãe se levantou, aproximando-se das malas tombadas. Com impressionante serenidade, ordenou a um deles para ir apanhar a garrafa de água que havia parado uns metros adiante.

Estava longe de pensar que aquelas duas crianças e a mãe, que vira de relance junto à porta de embarque alertado pelo barulho da queda, seriam companheiras de viagem.

Entrara, desta vez, mais cedo no avião. Escolhi minuciosamente o lugar que mais me convinha para ir à janela, quase na cauda do aparelho. Gosto de ver o que se passa lá em baixo. E de identificar os locais sobrevoados. É um belíssimo exercício e ajuda a passar o tempo.

"Mami!", ouço eu. Estava o avião praticamente cheio. Uma das crianças vislumbrava livres os dois lugares que se sucediam ao que eu escolhera. Primeiro, a mãe pedira a uma jovem que lhe cedesse o primeiro dos lugares da fileira à direita; depois, e para poder estar próximo das crianças, acabou por me solicitar que mudasse para o lugar que acabava de ficar vago.

Pronto, tinha que ser! Os miúdos iam choramingar certamente se tivessem um estranho a seu lado. E mudei-me. Logo desta vez, que fui dos primeiros a poder escolher.

E o avião lá levantou, perante as rezas da mãe a a indiferença daquelas duas ternurentas crianças.

publicado por Augusto Semedo às 00:25
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17
Jul 08

Não, o avião não cai.

Não há é luxo. É preciso ser-se prático. Isto é para gente que gosta de conhecer outras terras e ambientes diferentes. E que não vai em caprichos nem arranja desculpas para a sua falta de curiosidade.

Para gente que não se importa com as bolhas nos pés... neste caso caminhando pelos verdejantes e amenos jardins do Turia, entre o arrojado e futurístico complexo das ciências e das artes e o conservado e histórico centro da cidade.

A 'Ciutat Vella', com a catedral e as igrejas; o Ayuntamiento, a 'plaza' e a estação dos 'correos'; a 'plaza' de touros e a 'estacion del norte'; o mercado, os museus e as torres...

O Rio Turia foi desviado. Ficaram as pontes (algumas históricas...) e o leito está agora convertido num imenso jardim, com parques de diversão e desportos radicais, campos de jogo, lagos, áreas de lazer, pistas cicláveis... em todo o seu percurso citadino até ao porto.

Antes deste, nasceu um novíssimo parque onde antes era o Turia: a 'Cuidad de las Artes y las Ciencias'. Apresenta-se como o maior complexo lúdico e cultural da Europa, que combina interessantes conteúdos científicos e de divulgação com elementos de diversão para todo o tipo de público. Carote... mas vale a pena! Arquitectura moderna e uma soberba obra de engenharia.

O Oceanográfico, com a beleza e os segredos dos principais mares e oceanos do planeta, é o maior centro marinho europeu e tem espectáculos de golfinhos e demonstrações; o Museu das Ciências, com uma das maiores exposições de biologia e genética, pretende afirmar-se com um novo conceito de museu, apelando à participação e à experimentação; o Hemisférico, edifício em forma de olho humano, projecta filmes sobre astronomia e espectáculos de animação; e o Palácio das Artes, um centro de produção cultural de referência. Há ainda o jardim miradouro, com vistas sobre todo o complexo.

Ahh... e o 'Mestalla', pois então, ou não estivessemos em Valência.

publicado por Augusto Semedo às 16:16
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O comboio, no preciso momento em que escrevo, passa sobre o Douro, esse rio imponente que eu vira ainda há pouco, serpenteante a entrar em território português e vigoroso a descer até à foz, desde a janelinha do avião. A viagem de Valência ficara para trás. Bati, novamente, o recorde do voo mais barato – e disso mesmo faço gala.

O monstro vinha cheio, como sempre. Quase duas centenas. A meu lado, certamente havia passageiros que tiveram de desembolsar os quase 200 euros a que estava a tarifa (só de ida…) na semana anterior à da viagem. Pelo contrário, a minha (ida e volta) ficou-se pelos 38 euros, tudo incluído (taxas e afins).
Adiante… para confessar algo que me deixa triste sempre que utilizo o Francisco Sá Carneiro (FSC), considerado em 2007 o melhor aeroporto da Europa: a sua reduzida utilização. As obras mudaram-no completamente, é hoje um equipamento moderno, funcional e possuidor de capacidades por explorar. Falta-lhe movimento!
A Ota, também por isso, seria uma aberração. O investimento, ainda recente, no Porto precisa de ser rentabilizado, não de concorrência que o tornaria ainda mais periférico.
Também não se entende as dificuldades que – dizem – se vão criando a empresas que pretendem fazer do FSC uma plataforma de rotas aéreas.
O acréscimo do número de passageiros traria vantagens. Para a própria estrutura e para toda a região. Barcelona, a grande Barcelona, faz isso…
E, para nós, a oferta seria ainda maior. Aproximava-se da que já é oferecida a outros cidadãos europeus. Daqueles que não sabem a desvantagem de viver na periferia; nem de se haver com práticas hegemónicas e estranguladoras de empresas ou interesses corporativos.
Subitamente, a pacatez da composição em que sigo foi interrompida. Em Espinho, um ruidoso grupo de crianças tirou-me a concentração. Até Cacia não mais houve descanso. São experiências que dão um outro sentido às férias. Afinal, quantas delas terão ido alguma vez a Espinho? E há quantos anos não me metia eu num comboio que-pára-em-todas-as-estações-e-apeadeiros?
publicado por Augusto Semedo às 15:49
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