COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

30
Jun 08

A velha nacional 10, que em França significava o percurso efectuado pelos emigrantes portugueses desde a fronteira de Hendaye com a capital Paris, foi deixando de passar pelo centro urbano de localidades.

Mesmo com uma auto-estrada (A10) entretanto construída, a N10 tem conhecido permanente valorização - sendo, em muitos e longos troços, uma alternativa viável à via portajada. Há pelo menos 10 anos que as variantes, primeiro, e depois as ligações entre aquelas, têm sido construídas em perfil de auto-estrada. Com uma única diferença: em vez dos 130 km/hora, o limite de velocidade imposto é de 110.

Em 1998, alguns troços estavam já construídos; hoje, os 200 quilómetros que ligam, de forma mais directa, Poitiers a Bordéus, estão praticamente todos concluídos. Repita-se: em perfil de auto-estrada. Sem portagens, sem congestionamentos, sem rotundas e outras características próprias de rodovias urbanas (embora com meia dúzia de inaceitáveis cruzamentos, a obrigarem à redução para 90 km/h da velocidade máxima permitida).

A nova N10 é hoje uma verdadeira alternativa aos 18 euros que se pagam por circular na A10, naquele troço entre aquelas duas importantes cidades; e muitos são os veículos, especialmente pesados, que por lá transitam.

 

Em Portugal, construíram-se rodovias em perfil de auto-estrada com a pretensão de retirar o intenso tráfego dos centros urbanos, proporcionando viagens mais rápidas, seguras e cómodas. Evitando estradas nacionais altamente congestionadas - que, entretanto, têm vindo a transformar-se em artérias urbanas.

Serão essas as alternativas futuras. O Estado, para poder inaugurar as novas vias, colocando-as ao serviço do utente, sem custos, assumiu encargos e compromissos perante as empresas.

 

Da EN 109 já falámos. As câmaras de Aveiro, Ílhavo e Vagos reclamavam uma variante há vários anos. Deram-lhes uma variante em perfil de auto-estrada, que agora querem portajar sem que os utentes tenham alternativas reais e válidas.

Tomemos, desta vez, o exemplo de Águeda. Almejando ligações rápidas e seguras aos grandes centros - à medida, afinal, do volume de tráfego gerada pela sua actividade -, foi reclamando acessos que não a tornassem ainda mais distante da A1, de Coimbra e Aveiro.

A solução está anunciada e o problema aparentemente solucionado a partir de 2011. Porém, de futuro, qualquer cidadão que pretenda deslocar-se a Aveiro, a Coimbra e a Oliveira de Azeméis, ou que queira aceder à A1, terá obrigatoriamente de pagar para lá chegar. Qualquer empresa que queira operar na região terá custos acrescidos, com reflexos na competitividade ou nos preços praticados.

Como alternativa, cidadãos e empresas terão à sua disposição traçados tendencialmente mais urbanos, incapazes se assegurar a fluidez do tráfego e promotores de insegurança para automobilistas e peões.

O futuro que nos estão a oferecer é este, bem distante daquele que os governos de outros países têm assegurado. Porque há países que nem portagem cobram, outros que o fazem em pequenas distâncias para trajectos longos, ou outros que cobram apenas onde possuem alternativas minimamente condizentes com as necessidades de circulação dos cidadãos.

Por cá, ao contrário da vizinha Europa, nem uma política alternativa de transportes públicos tem havido. Pudera... Este futuro não nos é oferecido, é-nos imposto!

 

Nota final: Utilizando a A10 pela "escapatória" referida entre Poitiers e Bordéus, o custo de portagens entre Paris e Bordéus (571 km) é de 31,10 euros (49,70 euros utilizando a totalidade dos 598 km da referida auto-estrada). Em Portugal, ir do Porto a Albufeira (531 km) implica o pagamento de 37,55 euros em portagens. O custo do gasóleo em França oscila normalmente entre os 1,52 e os 1,47 euros por litro (a liberalização de preços funciona...), pouquíssimos cêntimos a mais do que se paga hoje em Portugal.

publicado por Augusto Semedo às 17:38
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Enquanto Albergaria se insurge contra a degradação de uma infra-estrutura construída há 19 anos, Águeda espera resignada a construção de uma estação rodoviária (o seu Centro Coordenador de Transportes…) reclamada seguramente há três décadas.

Se o CCT de Albergaria reflecte um pouco do que se passa pelo país – não basta construir, é preciso zelar pelos novos equipamentos -; a inexistência de uma estação rodoviária adequada e funcional em Águeda mostra a incapacidade dos poderes públicos resolverem problemas sentidos há muito.

Se o então moderno e funcional equipamento de Albergaria é vítima de um certo modo de estar na vida (atracção pela destruição...) com que alguns vão manifestando ausência de sentido cívico e um espírito miserabilista; a anacrónica e degradante estação rodoviária de Águeda enfrenta, entre outros problemas, questões de segurança que só não estarão mais expostas porque ainda não morreu ali gente.

Se o CCT de Albergaria (agora abandonado…) mereceu honras de inauguração, com o inevitável desfile de figuras proeminentes da época; a almejada ER de Águeda vai originando negociações tão complicadas, mas tão complicadas, que apodrecem antes do fruto.

Falta brio e consistência em sociedade de pompa e circunstância.

publicado por Augusto Semedo às 17:29

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