COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

30
Mai 08

O Euro 2004 foi exemplo do nada e do tudo.

Do nada quando, nos anos e meses que antecederam o torneio e Portugal se preparava para o receber, se promoveu o cepticismo a nível organizativo e o pavor da violência. Era tempo das parangonas sobre os atrasos nas construções e dos simulacros realizados pelas forças policiais, com honras de abertura de noticiários.

Do tudo quando, nos dias que antecederam a competição e durante a mesma, se promoveu um ambiente festivo e de confiança que deixou saudades. Era tempo de se esquecerem os problemas organizativos (que os houve...) e de se falar só pela positiva. Os portugueses descobriram a festa, rejubilaram colectivamente com os êxitos, mostraram a sua melhor faceta a quem os visitou, e souberam desvalorizar incidentes pontuais.

Hoje, num país deprimido e apreensivo, a histeria regressou como se o nosso futuro colectivo dependesse de uma selecção. Com um nível de exigência tão perigosamente elevado, veremos como se comportam os histéricos se Portugal não conseguir chegar no 'europeu' ao lugar onde levianamente o querem guindar?

Nota final 1: Na Alemanha, um pequeno país foi 4º. A nação organizadora, com um vasto palmarés e vários títulos conquistados, soube celebrar o 3º lugar como se de um grande feito se tivesse tratado. O pequeno país, que esteve num 'mundial' apenas pela quarta vez e só num deles fez 3º, prestou um tributo envergonhado à comitiva no seu regresso. Quantas vezes mais seremos 4ºs num 'mundial'?

Nota final 2: Alemanha, Itália e outros países habitualmente ganhadores mantêm-se no topo não tanto pela genialidade dos valores individuais mas pelo equilíbrio da equipa e pela qualidade do seu jogo colectivo. Raramente brilham mas preservam uma consistência especialmente táctica e mental. Veremos se Portugal mostra evolução colectiva capaz de confirmar em campo tão altas expectativas. 

publicado por Augusto Semedo às 08:51

Em 1996, quando acompanhei a primeira de uma série consecutiva de presenças de Portugal nos campeonatos mundiais e europeus de futebol (de então para cá, só em 98 não estivemos no 'mundial' de França), pude observar presencialmente como do nada pode dar-se a sensação de muito.

No centro de Nottingham, quando surgiam uma câmara de filmar e os senhores da televisão, os portugueses que se encontravam espalhados pela praça em pequenos grupos convergiam. Juntos, saltavam e 'cantarolavam' mal acendia a luzinha indicadora de que a filmagem começara. Um deles, escolhido ao calha, dizia aquelas coisas sem sentido, em voz ofegante, ao jornalista. O registo de imagem terminava entretanto e todos se afastavam nas várias direcções. A pressuposta euforia acabara como começara. As imagens seriam exibidas num país que julgava viver-se em Inglaterra um clima de permanente festa.

Muita coisa mudou entretanto. A selecção habituou-nos a estar sempre presente e, exceptuando Coreia e Japão, tem-se mantido entre as quatro melhores de cada 'mundial' e 'europeu'. Os portugueses ganharam uma relação afectuosa com a equipa que os representa em eventos tão importantes, especialmente tratando-se de um país pequeno e com dificuldades de afirmação. Os adeptos presentes nos países anfitriões são hoje mais expansivos e unidos, e vestem adereços que os identificam perante os demais.

Depressa passámos à embriaguez colectiva. Do oito para o oitenta. Por orquestração ou simples aproveitamento. Hoje, pelo que se vê, há festa a mais. Ver-se-á mais tarde, a partir de 7 de Junho, se a concentração é de menos.

publicado por Augusto Semedo às 08:20

27
Mai 08

Avran Grant - Nem sei se é bem assim que se escreve o nome. O homem não é figura simpática. É parcimonioso, talvez em excesso. Como chegou ao Chelsea não sei nem me interessa. As relações que mantinha com Mourinho enquanto conviveram, já numa fase de turbulência interna com reflexos nos resultados da equipa, adivinharam-se sempre difíceis. O ingresso do israelita nos 'blues' indiciava dificuldades internas para o exuberante Mourinho. 

Independentemente da forma como terá entrado, Grant foi capaz de lidar com um balneário dividido entre o apoio, a rejeição e a indiferença à mudança técnica; de ultrapassar as saudades de Mourinho e as desconfianças iniciais; de construir uma equipa igualmente sólida e mais desinibida até nos seus processos ofensivos. Recuperou, de forma notável, o atraso no Campeonato e fez o melhor percurso de sempre para o clube na Liga dos Campeões. E se a presença na final dependeu de pequenos pormenores que deram felicidade ao Chelsea, a fronteira entre o sucesso iminente e o fracasso doloroso diante do afortunado (naquela noite...) e titulado Manchester United teve apenas como responsável único e evidente meras circunstâncias casuais e fortuitas, próprias deste jogo. 

Grant acabou por ser vítima injusta. Como antes tinham sido Raniere e Mourinho. Como a seguir será o próximo.

Treinador que marcou o Chelsea e o futebol inglês como poucos mas nem sempre por razões aplaudidas, Mourinho - independentemente das razões pessoais que lhe possam caber - foi injusto e deselegante ao criticar o seu sucessor. Se ganhou muitas competições, noutras também se ficou pelo quase - e não terá sido por escassez de ambição ou de competência. Simplesmente porque, havendo treinadores 'especiais', nenhum deles é Deus. Como português e admirador das suas qualidades (embora não de forma cega e imprudente...), espero que a Mourinho não lhe aconteça o mesmo que ao homem que o substituiu com sucesso e competência no Chelsea - que um dia acabe despedido apenas porque a sua condição humana não pôde controlar o factor aleatório associado ao jogo.

Selecção - A campanha mediática voltou e os excessos regressam. Que a nossa equipa represente condignamente este país socialmente atormentado, honrando-o e prestigiando-o perante o Mundo. Que revele coesão e ambição, dando vitalidade aos grandes valores morais e volitivos associados à performance desportiva - e exemplos para muitos percursos de vida de cidadãos anónimos. Que promova o orgulho patriótico e continue a ser uma mais valia na promoção de Portugal.

O resto (os objectivos competitivos que lhes são exigidos como se jogássemos sozinhos e fossemos os melhores sem rival) deveria vir em consequência. Mas, definitivamente a ponderação - tendo-a, pode ser-se igualmente ambicioso! - não é connosco...

publicado por Augusto Semedo às 10:58

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