COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

08
Jul 07

"... desaparecer na escuridão da História", dizia Gervásio, personagem criada propositadamente para o filme, interpretada por Joaquim de Almeida, a propósito de Salgueiro Maia. A obra "Capitães de Abril", de Maria de Medeiros, homenageia alguém que ficou esquecido até determinado momento, vinca a elevação cívica do deposto Marcelo, revela uma outra visão do surgimento de Spínola no Movimento, sugere a motivação que se seguiu à Revolução por parte de um dos seus grandes mentores - "se tivesse lido os livros certos", dizia - e acaba por ter um posicionamento crítico sobre a evolução da Democracia e da Liberdade, e a concretização de projectos e ideologias, numa sociedade hierquizada e de interesses.

Vira o filme em telas de cinema - três vezes pelo menos... - e no ecrã de televisão. Comprei-o agora em DVD. Não por acaso, recentemente, tive curiosidade de me aproximar do Regimento de Cavalaria de Santarém e, nesta cidade, de fazer o mesmo em relação ao monumento de homenagem a Maia.

Vendo o filme, relembro conversas de mais velhos que chegavam ao entendimento possível de um miúdo com 10 anos. Como aquele momento, sublime com a música de Zeca Afonso, de iminente confronto entre as tropas de um descontrolado Brigadeiro e de um corajoso Capitão.

Há, porém, uma verdade indesmentível que este filme acaba por transmitir: a História pode contar-se de muitas maneiras. E se uns podem desaparecer e ressuscitar, se outros podem ocupá-la de forma legítima ou forjada, nós devemos acreditar questionando.

publicado por Augusto Semedo às 00:07
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