COISAS E COISINHAS DO NOSSO MUNDO augusto semedo

21
Mai 07

"Grande dignidade em campo. Ninguém podia exigir mais à equipa técnica e aos jogadores. Abraço"

Esta foi a primeira de algumas mensagens que recebi após o jogo em Anadia. De um ex-atleta e actual treinador, de alguém que esteve sempre próximo nesta missão que não terminou como todos queríamos. E a quem agradeço o apoio, em especial naqueles momentos que quem anda nisto sabe que não são particularmente favoráveis.

Aos jogadores pedi que fizessem, no derradeiro compromisso de uma época difícil (tormentosa para quem a viveu desde os seus primeiros meses), que fizessem, dizia, uma homenagem ao seu trabalho, ao seu esforço e à sua capacidade de resistência mental.

Seria esse o objectivo fundamental para o jogo com o Anadia. O que se passava nos outros campos só nos poderia vir a interessar se saíssemos vitoriosos do nosso jogo.

Não saímos. Saímos tristes e destroçados. Mas conscientes de que, apesar do resultado, trabalhámos até à exaustão por um desfecho positivo. Jogámos mais e melhor, pressionámos, criámos oportunidades... Caímos com honra!

De pouco terão valido as minhas palavras no fim, num balneário despedaçado, mas senti a obrigação de me curvar perante a imensa disponibilidade dos jogadores: "Nunca me senti tão orgulhoso de vocês como hoje!"

Agradeço ao grupo - jogadores, equipa técnica (Carlos Miguel e Rui Marques) e médica (enfermeiros Miguel e Pedro). Demos a cara, fomos Homens. Lá diz Manuel Sérgio: "Mais importante que a vitória e a derrota, é a forma como se ganha e se perde". 

publicado por Augusto Semedo às 11:51

5 comentários:
Dizia a um amigo, na manhã de domingo, que a esperança é sempre a última a morrer. Acreditar nunca fez mal a ninguém... O Recreio de Águeda não desceu por culpa do trabalho desenvolvido pelo Semedo e pelo plantel que teve às suas ordens. Basicamente, o problema esteve na forma como foi iniciada esta temporada. Um treinador que nunca o foi (falem com os jogadores) e a contratação de alguns jogadores de qualidade duvidosa. Registo, com apreço, a coragem do presidente António Isaías no final do jogo em Anadia: "Preparámos mal a época e assumo, por isso, a responsabilidade desta descida". Estou certo que o presidente aprendeu muito com este ano de experiência, mas também estou certo que deve começar já a preparar a próxima temporada. Definir com tempo o treinador, o departamento de futebol e um plantel capaz, que tenha qualidade e que, de forma clara, se imponha no difícil distrital de Aveiro que teremos na próxima temporada. Dos dois desejos que aqui formulei na passada sexta-feira, só um se concretizou: a manutenção do Valonguense (parabéns)... Fico mais satisfeito por saber que o Tocha acabou por ser um dos três piores 11ºs classificados e, por isso, desce também aos distritais. Não vou citar Manuel Sérgio, mas aproveito para dizer o seguinte: "o verdadeiro atleta é aquele que consegue levantar a cabeça na hora amarga da derrota e não aquele que ri perante as vitórias". Os jogadores do Águeda, ontem, tiveram alma e garra e nada lhes pode ser apontado... Que a permanência nos distritais seja apenas por uma temporada...
amarprofundo a 21 de Maio de 2007 às 14:35

O importante é o que se faz… não o que se deixa de fazer. Nem sempre o importante é chegar… é percorrer o caminho certo…é o quilómetro extra. É a coragem de estar sabendo a dificuldade… de permanecer.
Força Semedo
Cristina Fonseca
Anónimo a 21 de Maio de 2007 às 16:23

Um simples desabafo: Assim… custa muito!

Fui ensinado pelo meu pai a gostar do Recreio de Águeda, antes de saber ler ou escrever. O meu primeiro ídolo no futebol foi o Ica, um brasileiro que jogava com o nº8. Não sei se era bom jogador ou não, com aquela idade não percebia bem o jogo, mas fazia umas jogadas giras… e era jogador do “meu” Recreio!
O gosto pelo jogo levou-me com 7 anos a ir para as escolas do Recreio. Nunca fui nada de especial como jogador, mas sentia um grande orgulho em pertencer ao clube que aprendi a amar! Jogava o que sabia, dava o meu melhor! E até tenho 4 faixas de campeão distrital no meu quarto! Não tínhamos as condições de treino ideais, era preciso fazer alguns sacrifícios, mas pelo Recreio valia tudo, era tudo um espectáculo, até treinar na pista cheia de pedras ou no parque de estacionamento! Era um privilégio pertencer a uma instituição que movimentava tanta gente, tantos amigos, tantos valores positivos. Foram sem dúvida períodos marcantes na minha vida e na minha educação.
Para mim é inequívoco que se hoje sou uma pessoa que encara as adversidades com um sorriso e com coragem, muito o devo ao jogo de futebol e ao Recreio. Ter orgulho não é só envaidecer-nos com algo, é também e principalmente uma arma que nos faz reagir a quem ou a coisas que nos fazem mal, é uma defesa que nos protege e nos faz superiorizar aos obstáculos.
É preciso reagir!
No domingo fui a Anadia apoiar o meu clube. Apenas não acompanhei o Recreio quando estive a trabalhar noutros clubes. Dificilmente a despromoção seria evitada, mas se fui a Paços de Brandão, São João da Madeira, Sátão e Santa Comba, também tinha ir a Anadia. Só em Paços de Brandão o Recreio venceu. Só em Paços de Brandão o Recreio foi respeitado pela equipa de arbitragem, ou por outras palavras, não foi prejudicado de forma descarada e desavergonhada. Em nenhuma das circunstâncias vim de lá desiludido com o que vi, bem pelo contrário!
Passo a explicar: o jogo de futebol é um confronto de forças onde 2 equipas buscam o mesmo. Logicamente só uma delas, ou nenhuma, consegue vencer. Mas com tanto comentador “da treta” que existe nas televisões portuguesas, que usam e abusam dos neologismos do meio, para parecerem entendidos de algo que nunca vivenciaram, acabam por influenciar o vulgar adepto, que antes ia ao estádio para apoiar a equipa, ficando assim embebedado com aquelas parvoeiras, provocadas por pessoas que analisam o jogo de futebol como se fosse algo jogado num tabuleiro de xadrez, em os jogadores são peças inanimadas, manipuláveis e não susceptíveis ao erro. Transformam-se em juízes. Deixam de apoiar o jovem da terra formado no clube e passam a avaliá-lo, de forma intolerável, com uma superioridade mental parola. Tudo isto para afirmar que me custa ouvir que uma equipa tem “obrigação de vencer”! Tudo isto porque custa-me muito quando não se reconhece o mérito e o trabalho das pessoas!
E foi por isso que nunca vim desiludido dos jogos em que os 3 pontos não foram conquistados. Porque vi sempre a “obrigação” que uma equipa tem que ter: não é a “obrigação de vencer”, é a “obrigação de fazer tudo para o conseguir”. Esteve lá sempre, SEMPRE! Brio e ambição, mais nuns jogadores do que noutros, mais nos jogadores que tiveram uma “educação” parecida comigo do que nos outros. Era algo “deles” que estava em causa, algo que um miúdo apelidou de “orgulho aguedense”!
Até domingo, nunca tinha sentido bem o que estava a acontecer. Mais precisamente até ao apito final do árbitro. Fazendo mais um desvio no meu raciocínio: que GRANDE DIGNIDADE tiveram os jogadores do Recreio! Lutaram até ao minuto 95! Cumpriram novamente com “a obrigação de fazer tudo”! Mesmo sabendo que dependiam de terceiros, mesmo provocados por algumas das incidências do jogo, nunca deixaram de cumprir com “a obrigação”! E com um equilíbrio emocional distinto do que é característico no mau perder do jogador português! Fantástico!

Foi no apito final que comecei a sentir uma sensação muito estranha, ao ver aqueles jogadores desolados espalhados pelo relvado. Lembro-me de ver o Ricardo, Campos e Sammer. Sei bem como estão o Zé, Ribeiro e Galhano. Vi o que fez o Ventura (atenção que não censuro e compreendo muito bem os festejos do Simões e do Rúben, até lhes dei os parabéns, mas vi o que o “Visconde de Belazaima” fez… estava magoado pelo fizeram ao clube dele!). Imagino como estão os outros que também foram “educados” daquela forma atrás descrita e os rapazes de Anadia que fizeram tudo pelo clube. Que tristeza e que revolta!
E é por isso que custa muito! Porque o Recreio continua a ser gerido com reformistas sem rumo! Por que o Recreio continua a ser uma fogueira de vaidades onde toda gente quer implantar e inventar ideias quando elas são tão simples!
Há tanta gente de valor no concelho, porquê desvalorizá-los, desconsiderá-los e até por vezes desrespeitá-los?
Não se pode “pegar” num grupo campeão e desmanchá-lo como se fosse um puzzle. Estamos a falar de pessoas e de algo difícil de construir, um grupo campeão!
Não se pode desperdiçar um valor como o campeão João Pedro Mariz, para apostar em alguém que ninguém conhece, que não conhece ninguém do meio, e que mais não fez do que aproveitar-se duma amizade para conquistar um protagonismo que nunca teve, causando efeitos fortemente negativos no clube. Que rica amizade! Provavelmente até está feliz com o que sucedeu, porque até deve julgar-se a vítima no meio disto tudo. Há pessoas assim. Só desejo que nunca mais apareça no Municipal de Águeda.
Não se pode recorrer a um indivíduo que representa jogadores que nada provam (não tendo o curso para tal, a licença de Agente FIFA) quando a região tem tantos futebolistas de qualidade. Mais grave ainda, não se pode recorrer a esse mesmo indivíduo quando ele colocou jogadores no clube na descida da 2ªB para a 3ª (Tino e companhia), e na descida (na secretaria) da 3ª divisão para o distrital na época 2004/05. Deram-lhe espaço 3 vezes em Águeda. Fez hat-trick nas descidas de divisão! Já vi como trabalha, espera que apareçam novas direcções nos clubes e ataca. Se calhar deveria ir para os estatutos do clube que esse indivíduo não deveria voltar a aparecer em Águeda, nem a contactar ninguém de Águeda, para não voltar a abusar do clube.
É por isto que custa muito! Assim não! Assim NÃO!

Mas o clube não termina aqui. Haja logística que suporte quem tem ideias, mas ideias boas! Não temos que ser maiores nem melhores que os nossos rivais, a luta do Recreio é interna. A luta é por um Recreio melhor, de Águeda e para Águeda! Um clube cujo plantel sénior seja um espelho e uma consequência dum projecto sério e continuado na formação. Um clube com referências da terra, com jogadores da terra.
Como adepto espero ver o Recreio 2007/08 liderado pelo Semedo (FORÇA!), com o Carlos Miguel, o Rui Marques, o Zé, o Ricardo, o Sammer, o Galhano, o Ribeiro, o Tiago, o Guan, outros de quem me estou a esquecer e outros que vão aparecer. Gostava de voltar a ver o Ventura, Ruben, Sucena e Simões a regressarem “a casa”. No fundo um Recreio “de Águeda”!
Sr. Isaías, acredito muito sinceramente na sua boa vontade, mas deixe decidir desportivamente quem tem a experiência de anos de futebol e de Recreio. Olhe para o parágrafo anterior e não será difícil descobrir a quem me refiro. Seja benéfico ao Recreio! Faça com que o seu futuro no clube apague este ano.
Para o Semedo:
O árbitro de Sátão pode causar um castigo injusto e que não é verdadeiro. Pode afastá-lo do banco. Mas um líder não é só estar no banco ao domingo. Um líder é estar durante a semana com o grupo, orientá-lo para as coisas boas e positivas, protegê-lo das inúmeras coisas nocivas que existe no “mundo da bola”. Um líder educa, conduz pessoas, dá dignidade e crédito a um conjunto de pessoas. Estar no banco ou na bancada significa 1, 5 ou 10 metros de distância física, nada mais do que isso! A liderança é intelectual, é ideológica, não se mede em metros de distância!

Admito desgaste da sua parte por tantos anos de coisas ilógicas (por exemplo o que sucedeu após o RDA 1-6 UD Oliveirense, facto que para mim foi o maior erro político-desportivo do passado recente do Recreio). Mas não admito que a eventualidade dum castigo desajustado e imerecido provoque uma decisão de afastamento pelos motivos que referi no parágrafo anterior.

Não vale a pena querermos o reconhecimento de toda a gente, mas é bom sentirmos o reconhecimento de gente que vale a pena, e eles continuam por aí… e por muitas “porradas” que levemos na vida, se não lutamos e trabalhamos pelo nossos sonhos, a nossa vida torna-se um vazio!
FORÇA RAPAZES! O RECREIO NÃO MORREU! ESTÁ BEM VIVO! ISSO QUE VOS CAUSA UM APERTO NO PEITO NESTE MOMENTO É A MAIOR PROVA DISSO!

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