Andou por aí grande alvoroço com o estudo prévio da nova auto-estrada, que substituirá o actual IC2, mas a verdade é que a população mantém-se preocupantemente complacente perante a questão de fundo: precisamos de uma auto-estrada portajada ou tão só de uma estrada nacional que não esteja convertida praticamente numa longa artéria urbana?
Queríamos todos, e justificadamente, uma ligação menos penosa a Coimbra e à A1/Aveiro quando nos dão uma nova auto-estrada. A bem feitoria seria bem recebida se não houvesse lugar ao pagamento de portagens.
Afinal de contas, uma variante ao actual IC2 - sem entradas particulares nem cruzamentos, sem semáforos nem rotundas, e sem limites de velocidade, em alguns casos ridículos - seria suficiente. Mas o Estado vai dar-nos três auto-estradas praticamente paralelas, embora com custos para o utilizador.
É caso para perguntar, porque é legítimo fazê-lo: Águeda e as populações vão ficar a ganhar?
Águeda vai deixar de ter a variante recentemente construída; aquela que reclamou há décadas e que viu ser satisfeita já este século. Se houver introdução de portagens (e ainda ninguém nos garantiu o contrário...), muito do tráfego voltará a passar pelo antigo traçado da EN1, criando problemas inevitáveis ao núcleo urbano de Águeda e implicando diminuição da qualidade de vida da população local.
Por essa Europa fora, o trânsito foi sendo desviado dos centros urbanos das cidades com a construção de variantes, algumas construídas com via dupla em cada sentido. Se incluídas no traçado das auto-estradas, por inexistência de alternativas, esses troços estão isentos de portagem. Por cá, e pelos sinais que nos são dados, há uma completa inversão do que seria justo e o ilógico acentua-se: para se sair de Águeda, em quase todas as direcções, vai ter que se pagar.
No futuro, estaremos numa região com os veículos mais caros, com o combustível mais caro e com custos de circulação dos mais elevados da Europa! E, ao contrário da generalidade dos nossos parceiros europeus, com uma precária rede de transportes públicos que sirva de alternativa válida à crescente mobilidade dos cidadãos.
Será isto evolução? Será Águeda, de facto, beneficiada pela nova auto-estrada quando, afinal, queríamos tão só uma ligação mais rápida e segura, liberta de tantos e tão significativos estrangulamentos (criados na maioria dos casos por ausência de adequada regulamentação estatal no tempo devido), em direcção a Coimbra e à A1/Aveiro?
Para “presente envenenado” já basta o que estão a fazer na A17, construída com o propósito de desviar o trânsito da 109 em Aveiro, Ílhavo e Vagos, mas agora em vias de se transformar numa AE portajada. Aqueles municípios pediram uma simples variante e deram-lhes uma AE. No futuro, artérias urbanas e estreitas, mal dimensionadas para as exigências actuais, voltarão ao estrangulamento de outrora.